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Blog da Caelum

Aqui os desenvolvedores e instrutores da Caelum falam sobre Java, desenvolvimento e gerenciamento de software.

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Processo de build com o Maven

Por Lucas Cavalcanti em 07/07/2008

O Maven é uma ferramenta de gerenciamento, construção e implantação de projetos muito interessante, que te ajuda no processo de gerenciamento de dependências e no de build, geração de relatórios e de documentação. Na Caelum esta é a ferramenta usada em todos os projetos internos e nas consultorias.

Muitas pessoas migram seus projetos para o Maven, mas acabam arrumando mais problemas que soluções, pois não conseguem configurá-lo corretamente, e acabam desistindo e fazendo tudo na mão, ou voltando para o Ant. Mas se você conseguir ajustar as configurações, o Maven vai te ajudar muito e vai compensar todos os (poucos) problemas que ele eventualmente causa. No início do uso do Maven, espere formar com ele uma relação de amor e ódio.

Para começar a usar o Maven, tudo o que você precisa fazer é baixá-lo e configurar umas poucas variáveis de ambiente. Depois de ter feito isso, é só digitar mvn [target] na linha de comando. Alguns sistemas operacionais já te oferecem essa instalação através do macport ou apt-get.

A unidade básica de configuração do Maven é um arquivo chamado pom.xml, que deve ficar na raiz do seu projeto. Ele é um arquivo conhecido como Project Object Model: lá você declara a estrutura, dependências e características do seu projeto. A idéia é bem parecida com o build.xml do Ant: você deixa o pom.xml na raiz do seu projeto para poder chamar as targets de build do seu projeto. O menor arquivo pom.xml válido é o seguinte:

<project>
  <modelVersion>4.0.0</modelVersion>
  <groupId>br.com.caelum</groupId>
  <artifactId>teste</artifactId>
  <version>1.0</version>
</project>

Que contém apenas a identificação do projeto, e uma informação a mais: modelVersion, que é a identificação da versão do arquivo pom.xml e deve ser sempre 4.0.0. A identificação do projeto consiste em três informações:

  • groupId: um identificador da empresa/grupo ao qual o projeto pertence. Geralmente o nome do site da empresa/grupo ao contrário. Ex: br.com.caelum.
  • artifactId: o nome do projeto. Ex: teste.
  • version: a versão atual do projeto. Ex: 1.0-SNAPSHOT.

Essas informações são usadas em muitos lugares, ccomo o controle de dependências que é, na minha opinião, a funcionalidade mais útil do Maven. Por exemplo, para dizer que o log4j 1.2.15 é uma dependência da sua aplicação é só acrescentar no seu pom as linhas:

<project>
...
  <dependencies>
    <dependency>
      <groupId>log4j</groupId>
      <artifactId>log4j</artifactId>
      <version>1.2.15</version>
    </dependency>
  </dependencies>
...
</project>

Quando necessário, o Maven vai baixar pra você o jar do log4j 1.2.15, e todas as suas dependências, e vai colocá-las no classpath da sua aplicação durante os builds, testes, etc. Ou seja, você não precisa mais entrar no site do log4j, baixar um zip com vários jars e ter que procurar quais jars devem ser colocados no classpath! No Repositório de Bibliotecas do Maven você encontra os jars que você pode colocar como dependência do seu projeto, e o pedaço de xml que você deve copiar e colar dentro da tag dependencies do seu pom para incluir essas bibliotecas.

Todos os jars baixados pelo Maven são guardados na pasta repository dentro da M2_HOME que você configurou quando instalou o Maven. Assim, se mais de um projeto seu depende do mesmo jar, ele não é baixado de novo.

A grande diferença entre o build.xml do Ant e o pom.xml do Maven é o paradigma. No Ant usamos esse XML praticamente como uma linguagem de programação, onde você da comandos em relação ao build do projeto. No Maven usamos o XML para definir a estrutura do projeto, e a partir dessas declarações o Maven possui targets bem definidos que usam essas informações para saber como realizar aquela tarefa. Um exemplo: para compilar com o Ant criamos um target que chama o javac, mas para compilar com o Maven usamos um target já existente (não o criamos), e ele vai usar a informação que define onde está o código fonte e para onde ele deve ser compilado (sendo que muitas dessas informações possuem convenções e defaults, e nem precisam ser configuradas).

Além dos principais targets do Maven, você pode executar targets de plugins. Você só precisa digitar na linha de comando:

mvn [nomedoplugin]:[target]

e então o Maven baixa o plugin, se necessário, e executa a target pra você. Existe uma lista bem grande de plugins do Maven e uma boa parte desses plugins podem ser usados sem nenhuma configuração adicional no seu pom.

Para dar um exemplo de plugin do Maven nada melhor do que o plugin que cria um protótipo de projeto do Maven: o Archetype. É bem parecido com o scaffold do Ruby: ele cria um protótipo de projeto a partir de um modelo escolhido. O jeito mais fácil de usar esse plugin é digitando na linha de comando:

mvn archetype:create

E então o Archetype vai perguntar qual é o tipo de projeto que você deseja, o groupID, artifactID, version e o pacote referentes ao seu projeto. Depois disso você terá uma estrutura de projeto pronta para ser usada.
Por exemplo se você escolheu o tipo de projeto maven-archetype-quickstart, o Archetype vai criar uma estrutura de pastas parecidas com a seguinte:


teste
|-- pom.xml
`-- src
    |-- main
    |   `-- java
    |       `-- br
    |           `-- com
    |               `-- caelum
    |                   `-- teste
    |                       `-- App.java
    `-- test
        `-- java
            `-- br
                `-- com
                    `-- caelum
                        `-- teste
                            `-- AppTest.java

E então é só continuar o seu projeto a partir daí. O código de teste já vem separado do código principal, e o junit já vem como dependência da aplicação. Você também pode criar as pastas src/main/resources e src/test/resources para colocar os recursos (arquivos de configuração, de teste, e etc) do código principal e do de testes, respectivamente. Tudo que estiver dentro dessas pastas é copiado diretamente para o diretório onde as classes são compiladas, sem que seja necessário fazer nenhuma configuração adicional.

Se você, por algum motivo, não gostou da estrutura que o Maven criou, ou está querendo migrar um projeto para o Maven que não segue essa estrutura, você pode configurar os diretórios do projeto
acrescentando algumas linhas no pom:

<project>
...
<build>
    <sourceDirectory>
      ${project.basedir}/src/java/main
    </sourceDirectory>
    <testSourceDirectory>
      ${project.basedir}/src/java/test
    </testSourceDirectory>
    <resources>
          <resource>
                 <directory>
                   ${project.basedir}/src/resources/main
                 </directory>
          </resource>
    </resources>
    <testResources>
          <testResource>
                 <directory>
                   ${project.basedir}/src/resources/test
                 </directory>
          </testResource>
    </testResources>
</build>

...
</project>

Nesse exemplo o diretório principal de código e de recursos estarão em src/java/mainsrc/resources/main respectivamente, e os diretorios de teste em src/java/test e src/resources/test.

Agora com um projeto Maven já preparado, vamos para a principal funcionalidade: o build. O build do Maven é baseado no conceito de ciclo de vida: o processo de construção e distribuição da sua aplicação é dividido em partes bem definidas chamadas fases, seguindo um ciclo. O ciclo padrão é o seguinte:

  • compile - compila o código fonte do projeto
  • test - executa os testes unitários do código compilado, usando uma ferramenta de testes unitários, como o junit.
  • package - empacota o código compilado de acordo com o empacotamento escolhido, por exemplo, em JAR.
  • integration-test - processa e faz o deploy do pacote em um ambiente onde os testes de integração podem ser rodados.
  • install - instala o pacote no repositório local, para ser usado como dependência de outros projetos locais
  • deploy - feito em ambiente de integração ou de release, copia o pacote final para um repositório remoto para ser compartilhado entre desenvolvedores e projetos

Você pode invocar qualquer dessas fases na linha de comando, digitando:

mvn [fase]

Por exemplo se você digitar mvn package o Maven vai executar todas as fases anteriores do ciclo até a fase package. Uma lista completa das fases do ciclo de vida possíveis pode ser encontrada aqui.

Algumas das fases do ciclo possuem plugins associadas a elas, e esses plugins são executados assim que a fase é chamada para ser executada. Você pode também registrar plugins para rodarem em qualquer fase do ciclo, conseguindo, assim, personalizar o build do seu projeto facilmente. Por exemplo, se você quiser criar um jar com o código fonte do projeto, e que esse jar seja gerado depois que o projeto foi empacotado, é só acrescentar no seu pom:

<project>
  ...
  <build>
    <plugins>
      <plugin>
        <groupId>org.apache.maven.plugins</groupId>
        <artifactId>maven-source-plugin</artifactId>
        <executions>
          <execution>
            <id>attach-sources</id>
            <phase>package</phase>
            <goals>
              <goal>jar</goal>
            </goals>
          </execution>
        </executions>
      </plugin>
    </plugins>
  </build>
  ...
</project>

Assim, o plugin Source vai executar seu goal jar na fase package do ciclo de vida. É como se fosse chamado mvn source:jar quando o build passa pela fase de package. A fase package já possui um plugin associado a ela: o jar:jar (supondo que é um projeto jar), então o plugin source só será executado depois do jar:jar. Em geral se você registrar mais de um plugin pra mesma fase, eles serão executados na ordem em que eles forem declarados. O jeito de configurar o plugin para colocá-lo dentro de uma fase do ciclo geralmente está no site principal do plugin, na seção Usage.

O Maven possui ainda outras funcionalidades interessantes, como geração de relatórios. Alguns plugins também merecem uma atenção especial, como o Eclipse que gera informações de projeto para o eclipse (.classpath e .project), o Antrun que te permite executar código Ant dentro do Maven, o Cobertura que gera um relatório mostrando a cobertura de testes no seu projeto, o Jetty que sobe uma instância do Jetty com sua aplicação deployed, o Selenium que sobe uma instância do servidor do Selenium para poder fazer os testes de aceitação do selenium, enfim, existem vários plugins interessantes e é relativamente fácil achar o plugin que faz o que você precisa. É igualmente fácil, também, fazer um plugin para o Maven, o chamado Mojo.

Aqui na Caelum, além do Maven e JUnit, usamos muito o Selenium, juntamente com o SeleniumDSL, para os testes de integração, e o Cruise Control para o controle da integração contínua. Esperamos colocar tutoriais e vídeos sobre essas ferramentas também.


Melhorando o GUJ: Jetty, NIO e load balancing

Por Fabio Kung em 27/06/2008

GUJ2

Durante boa parte da vida do GUJ.com.br, na sua segunda versão (screeshot acima), o site sofreu diversas quedas e passou por muitos períodos de lentidão, mesmo depois de ter migrado para um servidor dedicado. A grande verdade é que por um bom tempo ficamos devendo a devida atenção ao deployment do GUJ. Sempre que um problema acontecia alguém simplesmente reiniciava o servidor, sem investigar as causas reais do problema com profundidade.

Dada a relação próxima que a Caelum sempre teve com o site, já que dois dos fundadores do GUJ são também os fundadores da Caelum, resolvemos assumir de vez a posição de criadores do GUJ. A Caelum agora é a patrocinadora e mantenedora oficial do GUJ. Recentemente andamos gastando algum tempo, tentando acabar de vez com estes problemas que o GUJ a tanto tempo sofre. Felizmente, a melhora já é bem perceptível!

Há algum tempo atrás, o GUJ ficava esporadicamente muito lento. Para resolver estes problemas de lentidão, o primeiro passo foi conseguir um servidor dedicado, pago pelos anúncios espalhados pelo site. Já faz tempo que o GUJ roda neste servidor dedicado e desde então a performance se tornou quase sempre aceitável.

Porém, o servidor dedicado não resolveu todos os problemas, já que java.lang.OutOfMemoryError sempre foi o principal problema enfrentado pelo GUJ. Sempre desconfiamos que o culpado poderia ser o código do próprio GUJ, ou até do JFórum, que deveriam conter algum vazamento de memória.

Alguns desenvolvedores da Caelum já tiveram ótimas experiências passadas com o Jetty, que é um excelente servidor web e servlet contêiner. Foi, inclusive, um dos servidores Java pioneiros a usar conectores NIO (java.nio). O Jetty foi desenhado para ser embutido em outras aplicações Java e portanto é extremamente leve. Consome bem menos memória que o Tomcat, seu concorrente mais conhecido, e não deixa nada a desejar nas outras características.

O servidor dedicado do GUJ tem 2GB de memória RAM e o Tomcat estava configurado inicialmente para ter um heap máximo de 768MB (-Xmx768M). A primeira tentativa foi aumentar o heap máximo (-Xmx1024M), mas mesmo assim o temível OutOfMemoryError insistia em aparecer.

Resolvemos então dar uma chance ao Jetty. Já que ele consome menos memória, acreditamos que os OutOfMemoryError demorariam mais a aparecer. Logo ao subir, o jetty ocupa 4% da memória do servidor. O impressionante é que em duas semanas no ar, o uso total de memória não passou de 12%. Na verdade, o uso de memória estabilizou em 9% do total, porém recentemente fizemos alguns testes de carga no servidor do guj, com mais do que o dobro do número de conexões que o guj recebe hoje nos períodos de pico. Isto fez com que o uso de memória do Jetty pulasse para 12%. Uma diferença enorme da quantidade usada pelo Tomcat, que chegava facilmente a 80%.

uso de memória do Jetty

Já temos algum tempo rodando, sem problemas de memória e com o jetty estável usando 9-12% do total da memória do servidor. Já estamos até pensando em descartar a possibilidade de existir um vazamento de memória no código do GUJ ou do JForum. Isto tornaria o Tomcat culpado pelos problemas de memória!

A possibilidade de vazamentos de memória no Tomcat (estávamos com a versão 6.0.14, sem o APR e com Linux Kernel 2.6.22) deste tamanho é um pouco assustadora. Com a base de usuários que o Tomcat tem, muito possivelmente alguém já teria pego este problema muito antes de nós. Provavelmente o problema é de alguma configuração mal feita no Tomcat do GUJ.

Fato é que o Jetty foi uma tentativa que deu certo e o problema está aparentemente resolvido. O Jetty mostrou um uso mais alto de CPU que o Tomcat, chegando a picos de 60% da capacidade total de processamento do servidor, que possui 2 processadores. Através dos testes de carga que fizemos, temos percebido que o Jetty usa bastante CPU para responder diversas requisições simultâneas. Isso não chega a ser um problema, já que os dois processadores que o servidor possui são mais do que suficientes para atender a quantidade de requisições por segundo que o GUJ recebe hoje.

Apesar de termos algumas suspeitas, ainda não investigamos a razão do alto uso de CPU. Este é um ponto a ser abordado, caso o GUJ tenha problemas com disponibilidade de processamento algum dia.

Mesmo não representando um problema hoje, esta situação preocupa já que o MySQL rodando na mesma máquina também costuma usar bastante CPU. Isto pode se tornar um problema em algum dia que tenha um pouco mais de requisições por segundo do que o comum, já que o uso de CPU chegava as vezes perto do limite. Felizmente, grande parte das requisições ao servidor do GUJ são para conteúdo estático: imagens, JavaScripts, arquivos CSS, download de pdfs (dos artigos), entre outros. Todo esse conteúdo estático era servido pelo Jetty, contribuindo para o alto uso de CPU. Resolvemos então tentar um proxy reverso na frente do Jetty, especificamente para servir este conteúdo estático.

proxy reverso servindo conteúdo estático

Existem diversas alternativas de proxy reverso e a primeira a ser considerada quase sempre é o conhecido servidor web Apache Httpd, com a adição do mod_proxy. É uma excelente solução e existe bastante documentação para fazer tudo funcionar. No entanto, faz um tempo que eu já estava querendo testar o servidor russo Nginx, tão falado pelo pessoal da Engine Yard.

A desvantagem do Nginx para o Apache Httpd é a documentação não tão extensa. Esse é um grande problema para a comunidade do Nginx, que tem se esforçado em traduzir grande parte do que está escrito em russo. Apesar disso, o Nginx é impressionante e superou todas as nossas expectativas. Além de ser extremamente rápido, consome pouquíssimos recursos. Cada um dos processos (1 master + 5 workers) consome na maior parte do tempo apenas 1% de CPU e 0.2% da memória disponível do nosso servidor. Incrível!

O conteúdo estático do GUJ agora é todo servido pelo Nginx; as requisições nem chegam ao Jetty. Além disso, o Nginx, como um bom proxy reverso, oferece diversas otimizações. Uma essencial para o GUJ é o preenchimento automático dos cabeçalhos HTTP de cache, sugerindo aos browsers que façam cache do conteúdo estático. Agora o consumo de CPU diminuiu consideravalmente.

uso de recursos do nginx no GUJ

Não fizemos nenhum comparativo científico de performance, mas a melhora dos tempos de resposta do GUJ está visível. Frequentemente tenho a sensação de que o site está “voando”.

Configuramos também no Nginx a exibição de algumas estatísticas de acesso; tão valiosas ao GUJ. É assustador como o padrão de acesso se repete a cada dia, e a cada semana. Repare como o gráfico de requisições por segundo é praticamente idêntico para cada dia (com exceção do sábado e domingo, que são parecidos entre si).

requisições por segundo no GUJ, em uma semana

Temos também o interesante gráfico de conexões por segundo, que mostra relação média aproximada de 3 requisições por conexão.

conexões por segundo no GUJ, em uma semana

Note que a legenda do gráfico está errada, já que deveria mostrar “connections/sec”. O pequeno pico que dá para ver no gráfico aparece por causa de alguns testes de carga que fizemos neste dia. Pode ser desconsiderado.

Fizemos ainda algumas experiências com múltiplos servidores Jetty por trás do Nginx, funcionando também como balanceador de carga. Espero em breve postar sobre nossa experiência em geral com balanceamento de carga e alguns outros truques que pudemos testar nesta experiência do GUJ e em alguns clientes.

Aproveitando o post, o GUJ recentemente comemorou a marca de meio milhão de mensagens. É um orgulho poder fazer parte desta comunidade, e mais ainda por poder torná-la cada vez melhor.


Novidades: Caelum RJ, FalandoEmAgile 2008 e Treinamento JBoss Seam

Por Nico Steppat em 24/06/2008

Algumas novidades da Caelum para o segundo semestre:

Caelum Rio de Janeiro

Dado o grande público de treinamento que já atendemos no Rio de Janeiro, e somando a isso o fato de dois de nossos atuais clientes de consultoria serem no Rio, estamos definitivamente estendendo nossos trabalhos para lá, com sede próxima à avenida Rio Branco.

Eu, Nico Steppat, pessoalmente, serei o responsável pelo início das operações da Caelum em território carioca, neste próximo semestre. Estou há pouco mais de cinco anos no Brasil desde que saí da Alemanha, sendo mais de dois anos na Caelum. Para mim, esse será mais um desafio: levar a qualidade da Caelum para o Rio de Janeiro, onde já me encontro.

Falando Em Agile 2008

Falando em Agile 2008Dado o sucesso do Falando em Java 2007 e do Falando em Java 2008, juntamento com o nosso envolvimento em metodologias ágeis, teremos em outubro o Falando Em Agile 2008! O evento contará com ninguém menos que David Anderson!

David AndersonDavid Anderson foi gerente e líder de excelentes equipes de software, entregando produtos de ponta desde 1991. Ele ajudou a fundar a APLN (Agile Project Leadership Network), uma organização sem fins lucrativos dedicada a encorajar uma melhor liderança e gestão no setor de TI, e é um palestrante e apresentador popular, autor de muitos artigos sobre gestão de engenharia de software, além de escritor e editor do popular blog Agile Management.

David entrou em cena no desenvolvimento ágil de software muito cedo, como membro original do time em Cingapura que criou a Feature Driven Development (FDD), um dos seis métodos ágeis originais. Baseado em sua experiência com a FDD na Sprint PCS, posteriormente escreveu o primeiro livro sobre a gestão do desenvolvimento ágil, “Agile Management for Software Engineering”, publicado em 2003. Como arquiteto de processo para a MSF for CMMI da Microsoft, ele se tornou versado na aplicação de técnicas ágeis ao CMMI do Software Engineering Institute (SEI) e estabeleceu um forte relacionamento profissional com pessoas-chave nessas comunidades. David é especialista em mudança cultural para a implantação instucionalizada e de longa duração de equipes de desenvolvimento Ágil e Lean (Enxuto) de software. Atualmente é um dos diretores da Modus Cooperandi.

O evento já tem também a presença confirmada do CSP Alexandre Magno, de Adail Retamal e de Guilherme Silveira. Muito em breve teremos mais informações, além da grade completa e inscrições.

FJ-34 - JBoss Seam

JBoss Seam Sem dúvida alguma o JBoss Seam é o framework Java EE que mais tem ganho atenção ultimamente. E isso não é sem razão: ele faz uma excelente ponte entre o EJB3 e o JSF, as duas principais e mais bem sucedidas especificações do Java EE da atualidade. Liderado por Gavin King, o mesmo criador do Hibernate, o JBoss Seam já é até uma cobiçada especificação: a JSR 299, WebBeans. Emmanuel Bernard, que esteve no evento Falando Em Java 2008, trabalha lado a lado com Gavin King desde o Hibernate 1 beta e nos atualizou com muitas informações durante sua estadia no Brasil e conversas na Caelum.

FJ 34 Jboss Seam Com o know how adquirido em diversas consultorias com JSF, EJB3, JBoss e Hibernate, criamos o treinamento FJ-34: Desenvolvimento para Web com o JBoss Seam. Neste treinamento, você vai conhecer a fundo os problemas que o Seam resolve ao integrar as duas grandes tecnologias do Java EE 5, passando pelos recursos facilitados pelo frameworks até o JBPM. Esperamos você lá!

atualizado: o evento Falando em Agile será dias 23 e 24 de outubro


Qualidade com Scrum

Por Edmilson Miyasaki em 02/06/2008

Tive a oportunidade de palestrar juntamente com o Alexandre Magno no Falando em Java 2008. Um tema recorrente durante as discussões depois de palestras e workshops sobre Scrum é Qualidade.

Quando falamos sobre qualidade em software, surgem diversas dúvidas quanto ao que significa ter qualidade em um software: ter um código bem escrito? Testes unitários? Código que não apresente falhas? Boa performance no que se propõe a fazer? Documentação?

De acordo com a NBR 13596 (ISO/IEC 9126), existem algumas características que um software deve apresentar para ser considerado como um software de qualidade. Estas características são listadas na tabela a seguir:

Característica Descrição
Funcionalidade Satisfaz as necessidades?
Confiabilidade É imune a falhas?
Usabilidade É fácil de usar?
Eficiência É rápido e “enxuto”?
Manutenibilidade É fácil de modificar?
Portabilidade É fácil de usar em outro ambiente?

A maioria das características que determinam um software com qualidade referem-se mais a boas práticas de engenharia de software ou eficiência da plataforma tecnológica. Entretanto, Scrum, como framework para gerenciamento de projetos, também é capaz de oferecer qualidade no processo de desenvolvimento.

Em Scrum, conseguimos uma melhora na qualidade através de diversos pontos. Obter esta melhora na qualidade depende muito se Scrum está sendo bem implementado ou não.

Dentre estes pontos, podemos destacar:

  • Iterações
  • Remoção de impedimentos
  • Inspeção e adaptação
  • Autonomia
  • Times multifuncionais

Iterações

Qualidade em software também significa entregar para o cliente algo que lhe seja realmente útil, de acordo com suas necessidades.

Por ser uma framework ágil, Scrum trabalha com iterações, onde a cada iteração entregamos software, ou incrementos de software, potencialmente usável e de acordo com a necessidade do cliente. E, a cada nova iteração, temos “feedback” do que foi entregue e que utilizamos para melhorar o produto (sempre de acordo com a prioridade do cliente).

O “feedback” do cliente existiria de qualquer forma, seja apresentando o produto ao final de uma iteração, seja ao final de todo o ciclo de desenvolvimento (o que normalmente acarreta em alterações no código). Entretanto, se estas alterações forem feitas no final do projeto, isto também pode causar efeitos colaterais indesejados, ao passo que, fazê-las de forma antecipada, impede este tipo de problemas.

Através das Sprints, times Scrum estão sempre desenvolvendo algo que realmente tenha valor para o cliente.

Remoção de impedimentos

Remover qualquer tipo de impedimento durante a execução de um projeto é essencial não importa qual metodologia seja utilizada. Em Scrum, é esperado que estes problemas apareçam. Mas, o que é feito após resolver este impedimento, determina se um time está utilizando Scrum corretamente ou não.

Durante a execução de uma Sprint, é recomendável que a execução das tarefas seja feita item a item ao invés de cada membro executar tarefas de itens diferentes. Isso tem duas razões: a primeira é relacionada ao valor para o cliente. Para um cliente, um item somente tem valor caso tenha sido entregue completamente — algo que esteja funcionando 80% não lhe trará vantagem alguma. Além disso, executar um item completamente ajuda a manter o foco da equipe na meta e no item em específico. Desenvolvedores em geral tendem a ser mais orientados a tarefas ao invés de orientados a valor. Manter o foco na meta ajuda a aumentar a qualidade do item sendo desenvolvido.

A outra razão é em relação à forma como os problemas são resolvidos e como suas correspondentes soluções são utilizadas. A execução completa de um item representa um fluxo completo de execução e faz parte do processo utilizado no desenvolvimento. Neste caso, problemas que poderiam se tornar recorrentes podem ser solucionados imediatamente, permitindo que isso não se repita na execução dos próximos itens. Desta forma, estamos aprimorando o processo, o que também reflete na qualidade do produto.

Inspeção e adaptação

Ao final da execução de uma Sprint, há a Sprint Retrospective, uma das cerimônias de Scrum. Nela, revisamos a Sprint (inspeção) e determinamos o que foi bom e o que precisa ser melhorado (adaptação). As adaptações podem ser individuais ou coletivas, mas, de qualquer forma, elas garantem a melhora do processo e consequente otimização, o que traz diversos benefícios.

Com um processo mais enxuto e mais eficiente, podemos ter um software com mais qualidade.

Autonomia

Times em Scrum são auto-gerenciados, o que significa uma menor pressão sobre eles. Desta forma, cada um dos membros pode selecionar o que fará e terá o tempo necessário para fazê-lo com qualidade. Estudos mostram que, sob pressão de prazos exíguos, a primeira coisa a ser deixada de lado pelos desenvolvedores é a qualidade.

Além disso, através desta autonomia, os membros do time passam a ter uma melhor qualidade de vida, o que reflete em uma melhoria na qualidade como um todo. Isso porque passam a ter mais tempo e disposição para pesquisar uma melhor forma de abordar e executar uma tarefa. Em um ambiente onde Scrum tenha sido bem implantado, este aprimoramento pessoal é compartilhado com os outros membros, o que traz mais incremento na qualidade.

Times multifuncionais

Quando montamos os times, procuramos sempre montá-los com membros que tenham diferentes características ou atribuições. Por exemplo, ao invés de um time formado só por desenvolvedores ou só de analistas de requisitos, procuramos misturá-los e formar diversos times Scrum.

Isto porque a experiência de cada um é extremamente útil no planejamento das tarefas a serem executadas na Sprint. Entretanto, existe um conceito maior escondido por trás disto: qualidade desde o início.

Pude presenciar em diversas ocasiões a seguinte situação: empresas utilizando o modelo em cascata, faziam o levantamento de requisitos no início do projeto. Em seguida, arquitetos de sistema e especialistas no negócio modelavam as classes para atender a todos os requisitos levantados na etapa anterior. Depois (bem depois, por sinal), estes modelos eram passados para a equipe de desenvolvimento e o resultado era testado pela equipe de Q&A e homologação. No final do processo, isto era entregue à equipe de implantação.

Invariavelmente, o contato com o cliente era feito no início do projeto, onde este apresentava todos os requisitos possíveis e imagináveis para o produto. Embora saibamos que o cliente sabe o que precisa mas tenha somente uma vaga idéia do que quer, ele era obrigado a informar o que desejava que fosse desenvolvido, e por isso a quantidade de requisitos, algumas vezes desnecessários, era imensa.

Durante a modelagem, os analistas modelavam o que era necessário para a aplicação, muitas vezes deixando de lado alguns detalhes que poderiam facilitar o desenvolvimento ou ignorando outros detalhes que pudessem melhorar o acesso aos dados.

Os desenvolvedores, por sua vez, simplesmente executavam o que foi determinado pelos arquitetos e no prazo determinado pelo gerente de projeto.

Depois de devidamente codificado, o resultado era passado para a equipe de Q&A, que testava o que tinha sido produzido e retornava o resultado dos testes à equipe de desenvolvimento. Infelizmente, isto era feito invariavelmente aos lotes — os testadores eram obrigados a testarem diversos recursos de uma vez, muitas vezes impossibilitando testes com aspectos mais amplos.

Como tudo isso feito às pressas, em algumas situações, a equipe de implantação era informada com poucos dias de antecedência (e em uma situação, a equipe foi informada que tinha até o final da tarde para implantar um sistema). Com tão pouco prazo, muitas vezes a implantação era feita sem qualquer teste, simplesmente esperando que a sorte sorrisse para eles.

Note que os cinco parágrafos anteriores descreveram cada um dos estágios no desenvolvimento. E isto reflete como o desenvolvimento era feito — sem qualquer comunicação adicional entre cada uma das etapas que não fosse a documentação do sistema. É fácil descobrir o resultado disso.

Através de times multifuncionais, a cada Sprint temos a opinião de especialistas em diferentes áreas definindo o que será feito naquela Sprint. Enquanto não sabemos o que o cliente realmente quer como produto, sabemos o que é mais importante para ele, com estes especialistas definindo a melhor abordagem possível, levando em consideração os aspectos nos quais cada um é melhor. Assim, arquitetos podem começar definindo as classes levando em consideração a opinião de um especialista em banco de dados, de domínio, etc.

Utilizando o princípio de qualidade desde o início, o código tende a ser mais enxuto, mais adaptável, a ter mais performance. Como a interação com o usuário é constante, o produto estará sempre de acordo com a necessidade do usuário. E com a presença de um especialista em testes, cada tarefa executada já pode ser testada e eventualmente corrigida rapidamente.

E finalmente, um especialista em implantação já sabe antecipadamente o que deve testar e providenciar como ambiente de produção.

Conclusões

Existe uma beleza singular na simplicidade apresentada por Scrum. Entretanto, por trás desta simplicidade, existem conceitos que não devem ser ignorados, sob pena de obter somente parte dos benefícios de Scrum.

Um ScrumMaster deve estar sempre atento aos diversos sinais que o time apresenta, bem como motiva-los e desafia-los, sempre em busca constante do aprimoramento individual como seres humanos e o time como um todo. Além disso, buscar a melhoria contínua do processo permite que a qualidade passe a ser uma constante em futuros projetos de software.


Domain-Driven Design no Falando em Java 2008

Por Sérgio Lopes em 26/05/2008


No Falando em Java 2008, apresentei uma palestra introdutória sobre Domain-Driven Design. Apesar do tempo curto, os comentários foram ótimos! Muito obrigado a todos os que comentaram: pessoas no evento, blogs e GUJ. Falar de DDD em 40 min foi meu maior desafio e acabou faltando um pouquinho de tempo no final, mas deu para passar a mensagem.

Domain e Ubiquitous Language

O ponto fundamental do DDD é o primeiro D, o Domain. Tudo gira em torno desse tal de Domínio. O domínio é, em poucas palavras, o problema que queremos resolver com o programa que estamos desenvolvendo. Alguém (um cliente) tem um problema na área de atuação dele (geralmente nada a ver com informática) e contrata uma equipe de programação para ajudá-lo (nós :).

Segundo o DDD, é impossível resolver esse problema satisfatoriamente sem entender direito o que acontece no domínio do cliente. Não basta os desenvolvedores saberem mais ou menos: é necessário entrar fundo no domínio do cliente.

Mas é claro que nosso objetivo não é se tornar um especialista completo na área do cliente, mas apenas compreendê-la. A palavra-chave para isso acontecer é Conversa. Conversa constante e profunda entre os especialistas de domínio e os desenvolvedores.

Aqueles que conhecem o domínio em detalhes devem conversar com aqueles que conhecem programação em detalhes. Juntos, tentarão chegar a uma língua comum em que todos consigam se entender e que será usada em todas as conversas. É o que o DDD chama de Ubiquitous Language: uma língua baseada nos termos do domínio, não totalmente aprofundada neste, mas suficiente para descrever o problema satisfatoriamente.

Construção do Domain Model

Durante a conversa constante, todos juntos chegarão a um consenso sobre o Domínio. Os especialistas de domínio eventualmente criarão simplificações para facilitar a conversa; e os desenvolvedores podem introduzir conceitos técnicos simples.

Com isso, todos criam um modelo do domínio. É uma abstração do problema real, desenvolvida em conjuntos pelos especialistas do domínio e desenvolvedores. No DDD, é chamado de Domain Model.

É esse modelo que os desenvolvedores vão implementar em código. Literalmente. Item por item, como foi acordado por todos. Será desenvolvido um código limpo, com palavras do domínio, que representa, na programação, o domínio em discussão.
Foto do Sérgio no FJ2008
Usando DDD, seu programa orientado a objetos deve expressar a riqueza do domain model. Qualquer mudança no modelo (e, acredite, isso é muito comum) deve ser refletida imediatamente no código. Se algo do modelo torna-se inviável de se implementar tecnicamente, não se faz um “ajustezinho” no código; o modelo deve ser mudado para ser mais fácil de se implementar.

Ou seja, sempre seu código será expressão do modelo, que por sua vez é baseado totalmente no domínio.

Implementando o Domain Model

O DDD define uma série de patterns para facilitar a implementação do modelo em código. Mas, com absoluta certeza, esse não é o ponto principal do DDD. São apenas ferramentas que facilitam essa implementação.

Na palestra, mostrei alguns patterns de forma bem simples e rápida, como Entity e Value Object. E mostrei o tão discutido, debatido e mal-compreendido Repository.

O cliente descreve ao desenvolvedor o seguinte problema: “preciso saber todos os peixes que são da cor azul”. (na palestra, usei o exemplo de uma loja de peixes) Para o cliente, é natural em seu domínio, que se consiga “buscar” coisas. A idéia é recuperar “objetos” do domínio (entities) previamente conhecidos, baseado eventualmente em algum critério.

A noção de repositório surge justo dessa necessidade: chegar nos objetos de conhecimento do domínio. Na palestra, eu levantei a questão de que o nome repositório não deve ser algo interno ao código, mas deve fazer parte da Ubiquitous Language, deve aparecer nas conversas e no Domain Model. Ou seja, repositório deve ser um conceito que o especialista de domínio também entende e, por que está no Model, é ele que vai para o código.

Não há problema em trazer palavriado técnico para a Ubiquitous Language, desde que o príncipio da UL seja mantida: todos entendem o conceito. E, se, eventualmente, no contexto do domínio sendo tratado, outro nome faça mais sentido que repositório, esse nome deve ser usado (mesmo que nós técnicos saibamos que no fundo aquilo é um repositório).

Repositório como interface? Classe concreta delegando? DAO implementa Repository?
Tanto faz. Um outro ponto fundamental do DDD é: nada tem resposta definitiva. Se você entende a questão toda do Domain Model e aplica essa noção na programação, pode usar diversas formas diferentes de implementar tudo isso.

Na palestra, eu representei o Repository como uma interface dentro do Model. E a implementação (que, do ponto de vista do DDD, não importa) era um DAO com Hibernate na camada de infraestrutura.

Concluindo

Meu ponto principal na palestra foi mostrar a Ubiquitous Language e o Domain Model, que são o coração do DDD. Vou escrever um segundo artigo com códigos e mais comentários da palestra, mas paro esse artigo gigante por aqui.

Termino linkando para um excelente post do Philip Calçado que ele publicou essa semana (parece até que combinamos) sobre DDD falando justo que o que conta no DDD é o Domínio e não os Patterns. Ele conta uma historinha de um projeto onde todos “entendiam” DDD, usavam Repositórios, Entities etc, mas infelizmente não falavam a mesma língua do domínio.