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Entidades Managed, Transient e Detached no Hibernate e JPA

Por Paulo Silveira em 23/11/06

Esse blog tem recebido uma média alta de comentários (agradecemos!), em alguns posts temos mais de dez pessoas diferentes dando sugestões. O patinho feio é meu longo post sobre as exceptions que mais acontecem quando desenvolvemos com Hibernate e JPA, talvez por alguns casos não serem tão comuns assim, e porque JPA ainda está recente.

Apesar de terem reclamado que isto está parecendo um livro de Hibernate, vou escrever aqui a introdução mais curta da história da JPA, baseado na palestra que dei sobre esse assunto no ConexãoJava e com a ajuda do Fábio Kung e do Nico Steppat para deixá-la minimal.

Um objeto é dito transiente quando não tem representação no banco de dados e nem o EntityManager o conhece. Exemplo:

Cliente c = new Cliente();

Aqui, qualquer mudança no objeto referido por c não gerará nenhum tipo de insert ou update no banco de dados.

O oposto é quando o objeto existe no banco de dados e o EntityManager em questão possui uma referência para ele, essa entidade está managed, gerenciada pelo EntityManager. Considere em uma referência a um EntityManager no seguinte exemplo:

Cliente c = new Cliente()// transiente
em.persist(c)// gerenciado

Ou ainda:

Cliente c = em.find(Cliente.class, 1)// gerenciado

Quando uma entidade está managed, qualquer mudança em seu estado (como uma chamada de setter) resultará em uma atualização no banco de dados no momento do commit.

O último caso é quando a entidade representa algo que possivelmente está no banco de dados, mas o EntityManager o desconhece: a entidade está fora do contexto, detached. Exemplo:

Cliente c = new Cliente();
c.setId(1);

Uma entidade também está detached quando o EntityManager de onde tiramos esse Cliente (por exemplo, quando fizemos um find ou vindo de uma Query) já não está mais aberta. Qualquer mudança nessa referência obviamente não surtirá efeito no banco de dados. Para que essa mudança faça efeito, isto é, para reattach o entidade, antes precisamos amarrá-la ao contexto de persistência. Repare que no EntityManager já pode existir uma entidade Cliente com esse mesmo id, imagine então o que aconteceria se tivéssemos um método que se chamasse reattach ou update?

Por isso o método é o merge. Ele junta a possível entidade com mesmo id que se encontra no EntityManager com a passada como argumento, e devolve a que está managed. O método merge não faz reattach. Então:

Cliente c = new Cliente();
c.setId(1);
em.merge(c);
c.setNome("Cliente com nome alterado");

Não surtirá efeito! Aqui você precisava antes ter pego o que o merge devolveu. Repare na pequena alteração:

Cliente c = new Cliente();
c.setId(1);
c = em.merge(c);
c.setNome("Cliente com nome alterado");

Pronto. Uma pequena introdução sobre o ciclo de vida de uma entidade em relação a um EntityManager: transient (a especificação chama de new), managed e detached! Ainda temos o estado removed, quando uma entidade está marcada para a remoção.

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Ajax no VRaptor: JSON da maneira fácil

Por Guilherme Silveira em 08/11/06

Vamos falar um pouco de web antes que o Paulo Silveira transforme esse blog em um livro de Hibernate!

O Fabio Kung deu a idéia de usar JSON para fazer a estrutura básica de Ajax do VRaptor. O Paulo, que detesta(va) trabalhar com JavaScript e interfaces com o usuário, gostou bastante da maneira simples de se representar objetos com JSON. Ele correu atrás de diversas bibliotecas como a JSON-tools e a JSON-lib mas achou que uma dependência apenas para isso seria muita coisa, já que não haveria a necessidade de consumir JSON como Java, apenas produzir. Ele encontrou um código na internet bem simples, mas quando foi usar descobriu uma série de testes que falhariam, então ele, juntamente com o Nico Steppat, mexeu e criou o próprio JSONWriter do VRaptor, junto com um longo test case.

JSON é uma notação simples para definir uma variável em JavaScript que pode ser facilmente traduzida para um objeto de outras linguagens. Muitos frameworks para AJAX, como o Dojo e o Prototype, consomem mensagens JSON. E agora no VRaptor, dada uma simples classe como essa:

@Component
public class ContatoController {

        private List<User> users = new ArrayList<User>();

        @Remotable
        public void lista() {
                // puxaria do banco
                users.add(new User(1,"Paulo"));
                users.add(new User(2,"Guilherme"));
        }
        
        public List<User> getUsers() {
                return users;
        }
}

Basta você anotar o método como @Remotable e acessar contato.list.ajax.logic pela URL, que o resultado será:

{"users":[{"nome":"Paulo","id":1},{"nome":"Guilherme","id":2}]}

Pronto para ser consumido por um browser! Você pode ver no site mais detalhes sobre o AJAX com o VRaptor.

O Paulo ficou empolgado com a remotabilidade, e agora está implementando o RESTful do VRaptor da mesma maneira: contatos.lista.xml.logic vai te renderizar os mesmos objetos só que em XML! Já está no CVS e estará presente uma versão básica na versão 2.2.4 (assim como integração com Spring). Isso será não só útil para expor serviços, mas também para integrar seus componentes VRaptor com consumidores de XML como o Adobe Flex e o OpenLaszlo. O próximo passo é aceitar as requisições XML e JSON, não só apenas produzi-los.

Dei hoje uma palestra sobre esse assunto no SouJava, fazendo analogias com SOA e Service Component Architecture que o Paulo tanto elogia no Apache Tuscany. Ele quer dirigir o desenvolvimento do VRaptor para esse lado: poder expor facilmente seus componentes web como serviços, facilitando a futura integração e manutenção, dois pontos que nós desenvolvedores sofremos muito atualmente com os sistemas legados.

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TransientObjectException, LazyInitializationException e outras famosas do Hibernate

Por Paulo Silveira em 01/11/06

Para quem desenvolve com Hibernate, sem dúvida as exceptions que aparecem mais são a TransientObjectException (TOE), LazyInitializationException (LIE) e a PersistentObjectException (POE). Semana passada tive o prazer de ministrar um treinamento de EJB3 e JSF para o pessoal da Petrobras de 5 cidades diferentes e durante o curso várias TOEs, POEs e LIEs apareceram. Vamos ver quando cada uma ocorre.

Estou usando aqui a API do Java Persistence, mas a relação é direta com o Hibernate, já que este é o meu provider. Considere duas entidades, Autor e Livro, cada uma com atributos triviais, um id que é @GeneratedValue e uma relação @ManyToMany entre elas, sendo Livro que possui o lado mappedBy. Vamos ao código:

Autor a = new Autor();
Livro l = new Livro();
a.setLivros(Collections.singleton(l));
manager.persist(a);

Resultado:

org.hibernate.TransientObjectException: object references an unsaved transient instance - save the transient instance before flushing: br.com.caelum.hibernate.testes.Livro

Essa exception não ocorreria se você tivesse chamado manager.persist(l); dentro dessa mesma transação, ou utilizasse cascade=CascadeType.PERSIST no relacionamento. Um objeto transiente, ao ser persistido, não pode se referenciar a outros objetos transientes, a não ser que haja cascade!

Agora considere:

Autor a = new Autor();
a.setId(1L);
a.setNome("paulo");
    
manager.persist(a);

Resultado:

org.hibernate.PersistentObjectException: detached entity passed to persist: br.com.caelum.hibernate.testes.Autor

O id de Autor está anotado com @GeneratedValue, quando ele percebe que há um id setado ele imagina que provavelmente esse objeto já deve existir no banco de dados (repare que ele não faz select, se você colocar um id que não existe, a mesma exception ocorrerá). persist não aceita objetos detached, apenas transient e managed. Essa exception não ocorreria se seu id não fosse @GeneratedValue, ou se você tivesse puxado esse Autor através do manager.find, por exemplo.

Vamos passar para o método merge. Porque o utilizamos tanto? Pois na web, quando recebemos os parâmetros e populamos nosso Entity para atualizá-lo, ele está detached: não foi pego através do EntityManager/Session, porém possui um id setado (o que anteriormente gerou a PersistentObjectException). O merge tem um detalhe importantíssimo: ele não vai passar o estado daquela entidade para managed (como faz o saveOrUpdate do Hibernate), e sim devolver uma versão da mesma entidade que seja managed (como fazia o velho saveOrUpdateCopy), em outras palavras, futuras mudanças na entidade passada não surtirão efeito. A outra grande diferença é que agora podemos passar como argumento um objeto transiente que já possua um id setado:

Autor a = new Autor();
a.setId(1L);
a.setNome("livro1");  
manager.merge(a);

a.setNome("livro2");

O código irá atualizar o nome do Livro de id 1 para livro1. Repare que a mudança para livro2 não surtirá efeito, já que o merge não faz attach do objeto passado como argumento, então nesse caso ele continua detached. Uma opção seria você pegar o retorno do método merge, que é o mesmo Autor, porém agora managed. A documentação do hibernate sobre o merge parece ser melhor que a especificação.

Aqui temos de ter muito cuidado, como não puxamos esse Autor pelo entityManager, caso ele possua alguns livros no seu relacionamento, nesse merge perderíamos todas essas informações!

Parece fácil evitar todas essas exceptions, então porque eu disse que ocorreram tanto no curso? Bem, estávamos usando a JPA de dentro de um container, não standalone. Considere então um session bean de granularidade fina que esteja agindo apenas como um dao (esse não é o ideal, mas fica para os testes):

@Remote
interface SessionBeanRemote {
  void persiste(Autor a);
  void persiste(Livro l);
  Livro buscaLivroPorNome(String nome);
}

E considere o cliente:

Livro l = new Livro();
sessionBeanRemoto.persiste(l);

Autor a = new Autor();
a.setLivros(Collections.singleton(l));
manager.persiste(a);

Repare como esse código é muito parecido com o primeiro desse post, porém já persistindo o Livro anteriormente, para evitar a TransientObjectException. Mas adivinhe, aqui é lançada uma TOE! Isso ocorre porque, apesar do Livro ter sido persistido, no cliente remoto ele estará transiente, pois sua chave primária não foi populada, já que o objeto foi serializado e só no servidor se encontra uma versão desse Livro com sua respectiva chave! Se fosse no EJB 2.x, onde o Entity bean também é um componente, isso não ocorreria. Mas aqui, fora do container, o Entity bean age realmente como um valeu object: não há ligação dele com o servidor.

Para resolver isso temos alguns idiomismos, mudaríamos nosso bean remoto para:

@Remote
interface SessionBeanRemote {
  Autor persiste(Autor a);
  Livro persiste(Livro l);
  Livro buscaLivroPorNome(String nome);
}

Um tanto estranho, e na nossa implementação devolveríamos o próprio argumento:

@Stateless
class SessionBean implements SessionBeanRemote {
  @PersistentContext
  private EntityManager manager;

  public Livro persiste(Livro l) {
    manager.persist(l);
    return l;
  }
  // outros metodos
}

Dessa maneira passaríamos de volta ao cliente uma versão detached do novo livro: agora com ID! Nosso cliente ficaria:

Livro l = new Livro();
l = sessionBeanRemoto.persiste(l)// agora pegamos o retorno!

Autor a = new Autor();
a.setLivros(Collections.singleton(l));
manager.persiste(a);

Existem outras alternativas, como retornar apenas a chave primária, utilizar session beans com maior granularidade, etc.

E a LazyInitializationException que mencionei? Usando hibernate ou JPA standalone estamos cansados de saber como evitá-la: basta manter a sessão aberta durante a renderização na camada de visualização. Mas com EJB a história é outra, sendo muito mais sutil: chame o método buscaPorNome, ele vai retornar ao cliente um Livro detached. Adivinhe o que acontece ao invocar o getAutores() no cliente?

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