O processo de deploy contínuo
Por Guilherme Silveira em 01/03/10Ao término do primeiro sprint, sua aplicação está andando muito bem e tem todas as histórias aprovadas enquanto no ambiente de testes. Passaremos então para a primeira tentativa de colocá-lo em produção/homologação, e logo descobre-se que o sistema não funciona corretamente nesse novo ambiente, e é gasto muita energia para adaptar diversos detalhes que já eram considerados “prontos”.
Após esse esforço, com a aplicação rodando em outra máquina diferente da de desenvolvimento, os clientes começam a utilizá-la e a quantidade de bugs específicos desse novo ambiente que aparecem sobrecarregam os desenvolvedores. O estranho de tudo isso é que o código original rodava na máquina do desenvolvedor sem problemas, inclusive com testes unitários e de aceite.
Em sistemas que não implementam testes end to end, mesmo que smoke tests e que não se planejam para deploys desde o começo do projeto, é comum encontrar um grande número de bugs no primeiro deploy de homologação, além de uma extrema dificuldade para realizar essa implantação inicial.
A equipe passa então a trabalhar para corrigir essas onda de bugs, fica incapaz de adicionar novas funcionalidades em um ritmo adequado e desanima rapidamente.
Enquanto o processo de deploy não for automatizado, cada nova tentativa de implantação é seguida por uma enchurrada de bugs novos, sempre com as mesmas consequências negativas.
A solução aqui é automatizar todo o processo de deploy desde o primeiro sprint, e para isso você precisa estruturar muito bem seu ambiente, de forma que ele seja perfeitamente replicável entre as máquinas de desenvolvimento, homologação e produção. Isso é bastante planfletado pelo movimento Devops.
Graças aos ciclos mais curtos de deploy, o cliente testa o seu software mais cedo e recebemos feedback mais rápido quanto a bugs existentes, portanto o número de bugs novos sai do zero muito mais cedo, diminuindo um possível susto.
Martin Fowler comentou recentemente sobre a estratégia de manter dois sistemas muito parecidos em paralelo e virar a chave de roteamento de um para o outro para efetuar a transição, processo que pode e deve ser automatizado por completo em aplicações de alta disponibilidade. Fábio Akita da Locaweb explica uma estratégia simples para deploy contínuo através do uso do git.
Tudo isso minimiza o acúmulo de bugs, resultando em um ritmo constante, mas menor, de aparição de problemas, inerentes a qualquer processo.
Com o deploy contínuo através de técnicas como a citada pelo Akita, cada commit terá não só suas baterias de testes rodados, mas entra em homologação. Os bugs aparecem mais cedo durante o desenvolvimento do projeto e o processo de deploy pode ser efetuado mais frequentemente.
Indo além, com um sistema blue-green, seu processo de deploy atinge um nível maior ainda de maturidade, com a possibilidade de um rollback robusto a qualquer instante.
Como você está tratando o seu deploy?
Está absolutamente certo quando você diz:
“e logo descobre-se que o sistema não funciona corretamente nesse novo ambiente, e é gasto muita energia para adaptar diversos detalhes que já eram considerados “prontos””
Mas nada melhor do que aprender com os próprios erros.
Comment by Rafael O. Marques — March 4, 2010 @ 3:53 pm
Segundo paragrafo = meu carma. Quando o projeto começou, nem o cliente, nem a empresa tinha esse expertise. Agora estamos pagamos o preço, ou eu. Isso que da pegar o bonde (projeto) andando.
Comment by Fred Estrela — March 4, 2010 @ 4:45 pm
Um outro fator que ajuda muito a diminuir problemas de deploy é se o desenvolvedor programasse em um ambiente local muito próximo com o de produćão, ou seja, mesmo sistema operacional, mesma versão de JVM, mesma versão de app server, mesmo encoding, mesmos paths e por aí vaí.
Comment by Gabriel — March 8, 2010 @ 1:03 am
[...] a requisitos não funcionais. Um exemplo é a instalação de um servidor de homologação e processo de homologação e deploy contínuo no estilo devops, fugindo do estilo tradicional, menos ágil, de operações. O que [...]
Pingback by Tarefas técnicas possuem valor para o product owner? « Agile no mundo real — March 9, 2010 @ 9:46 am
Um deploy automatizado é de longe uma ótima opção para agilizar as coisas.
Ainda estou em fase de adaptação da integração contínua com o deploy automatizado e todo o gerenciamento com o TeamCity. E isso esta me trazendo uma maior segurança nos projetos em produção.
Parabéns pelo tópico.
Comment by Washington Botelho — March 9, 2010 @ 12:58 pm
[...] mais de dois anos, a Caelum tem feito um esforço sobre cortar diversos tipos de débitos técnicos, incluindo levar práticas ao extremo, como testes end-to-end em [...]
Pingback by Desenvolvimento: o dia que o meu projeto parou | blog.caelum.com.br — April 20, 2010 @ 1:12 am
[...] assunto de deploy contínuo, não trouxe nada de muito novo. O Guilherme Silveira, da Caelum, havia blogado em março e feito uma apresentação em maio sobre esse tema no evento Maré de Agilidade, em [...]
Pingback by Como vi Scrum ser completamente rechaçado em uma grande empresa | CØdeZØne! — June 29, 2010 @ 6:59 pm
[...] Total http://radar.oreilly.com/2009/03/continuous-deployment-5-eas.html http://blog.caelum.com.br/2010/03/01/o-processo-de-deploy-continuo/ [...]
Pingback by Palestra Agilidade no Mundo Real - Milfont Consulting — July 11, 2010 @ 9:17 am