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Java Annotations: directing, enabling?

Por Fabio Kung em 22/09/08

Há algum tempo, quando trabalhava na Alemanha, costumava ter diversas conversas e discussões extremamente produtivas com um grande amigo e desenvolvedor, Tiago Silveira. Como não poderia deixar de ser, desenvolvimento de software era o preferido entre diversos assuntos interessantes.

Em uma de nossas conversas, falávamos sobre o uso de anotações em Java. A discussão foi tão produtiva, que chegamos a concordar que o uso de anotações pode ser encarado como atitude com relação ao desenvolvimento de software!

Foi o próprio Tiago que começou a falar sobre enabling vs directing e começamos a fazer algumas comparações com o uso de anotações em projetos famosos.

Anotações são apenas metadados (ou DecorativeData, como alguns podem preferir); informações extras sobre o código que está escrito. Eu costumo sempre fazer analogia com um post-it pendurado no meio do seu código fonte: anotações não executam código.

Na minha opinião, o bom uso de anotações segue o estilo “Enabling”. Não te direcionam para nenhum caminho, não indicam a execução de nenhum código. Pelo contrário, como metadados, apenas possibilitam diversos usos desta informação extra. Um bom exemplo seria a anotação @Entity, da Java Persistence API:

@Entity
public class Carro {
  // …
}

Diversos frameworks e até outras partes do seu sistema podem usar esta informação extra como bem entenderem. O próprio hibernate usa esta informação para saber que se trata de uma classe persistente, que deve ter representação no banco relacional, um validador poderia usar esta informação para decidir que objetos desta classe devem ser validados, um framework de aspectos poderia decidir aplicar um aspecto nesta classe baseado nesta informação extra, entre diversas outras possibilidades. Um outro exemplo interessante poderia ser a anotação @Transient, da própria especificação JPA:

public class Bicicleta {
  @Transient
  private double velocity;
}

Você poderia usar esta informação para decidir não mostrar este campo na interface gráfica (web ou desktop). Pode usar esta informação extra até para decidir que este campo não será enviado em emails, nem incluso em logs. Frameworks de ORM como o hibernate aproveitam esta informação para ignorar o atributo e não incluí-lo em nenhuma tarefa de persistência.

Poderia dar mais inúmeros exemplos de bons usos de anotações. O mais importante é a idéia de que a anotação possibilita diversos usos e não direciona - não força - nenhum caminho. A anotação não está associada a nenhuma execução de código. Funciona mesmo como um simples post-it.

A atitude alternativa seria o pensamento “Directing”. Neste caso, a anotação está diretamente relacionada a execução de algum código e serve apenas para este fim. Exemplo:

public class Sistema {

  @EnviaEmail(Emails.CONFIRMACAO)
  public void cadastra(Usuario usuario) {
    //…
  }

}

Neste caso não há outro uso para esta anotação. Perceba que ela já pressupõe a execução do código de envio de emails. Te limita a um pensamento particular, para um uso específico. Talvez seja um caso exagerado, mas não há diferença alguma com a chamada direta do método que envia o email:

public class Sistema {
 
  public void cadastra(Usuario usuario) {
    mensageiro.enviaEmail(Emails.CONFIRMACAO, usuario);
    // …
  }
 
}

Em alguns casos pode ser bastante difícil, ou até subjetivo demais, decidir se o uso de uma anotação é directing ou enabling. Não acho que devemos tomar nada como verdade absoluta; o importante é ter consciência dos diversos pontos de vista diferentes. Assim podemos tomar as nossas decisões, sempre pesando vantagens e desvantagens.

E você, consegue lembrar de algum outro uso interessante de anotações? Enabling ou Directing?

Divisions com Hibernate: uso avançado da Criteria API

Por Lucas Cavalcanti em 11/09/08

Existe uma operação, não muito conhecida, mas muitas vezes necessária, em bancos de dados chamada divisão (division). Essa operação representa o seguinte tipo de consulta: Selecione os alunos que fizeram todos os cursos. Selecione os autores em que todos os seus livros têm mais de 200 páginas. E assim por diante.

Esse tipo de consulta precisa de alguns recursos avançados do SQL, então antes de mostrar como implementá-la vamos ver como implementar consultas um pouco mais simples, usando a Subqueries e a DetachedCriteria, que nos possibilitam consultas bastante poderosas usando a api da Criteria.

Bom, vamos começar com três entidades: Aluno, Curso, e um relacionamento de muitos pra muitos entre eles representado pela entidade Matrícula.

Vamos pensar um pouquinho como fazer a seguinte consulta: “Selecionar todos os alunos que estejam cursando Matemática ou Português“. Pensando em banco de dados, podemos fazer um join entre Alunos e Matrículas, e selecionar as linhas em que o curso é matemática ou é português. Precisamos também evitar que a busca retorne alunos repetidos. Vamos fazer isso com Criteria, recebendo a lista dos cursos que eu quero que o aluno esteja cursando algum deles:


public List<Aluno> alunosCursandoAlgumDessesCursos(List<Curso> cursos) {
  Criteria criteria = session.createCriteria(Aluno.class);
  //join com as matrículas
  criteria.createCriteria("matriculas""m");
  
  //usando a disjunction para fazer um ’ou’ entre vários elementos
  Disjunction ou = Restrictions.disjunction();
  for (Curso curso : cursos) {
    ou.add(Restrictions.eq("m.curso", curso);
  }
  criteria.add(ou);

  //eliminando resultados repetidos
  criteria.setResultTransformer(Criteria.DISTINCT_ROOT_ENTITY);
  return criteria.list();
}

Ou podemos fazer algo bem mais interessante, que é usar a restrição in, que retorna verdadeiro se a propriedade dada é igual a algum dos elementos da coleção que passarmos pra ela. Nesse caso trocaríamos o Disjunction por simplesmente:

criteria.add(Restrictions.in("m.curso", cursos));

Bem fácil! Agora vamos mudar só um pouquinho a consulta para: “Selecione todos os alunos que estiverem cursando Português E Matemática“. Poderíamos inocentemente mudar a Disjunction para Conjunction no método anterior. Mas isso não funciona! Por quê? Porque se fizermos isso, estaríamos mudando a consulta para algo do tipo: “Selecione os alunos que tenham uma matrícula que é em Português e em Matemática ao mesmo tempo“. E isso não é possível. Temos que mudar essa consulta para algo do tipo: “Selecione todos os alunos para os quais exista uma matricula no curso Português e exista uma matrícula no curso Matemática“.

Existe uma operação em SQL que faz exatamente isso: o exists. Ela retorna verdadeiro se a subconsulta que estiver depois dela retornar algum resultado. Para fazer isso precisamos então criar subconsultas em Criteria, e o jeito de fazer isso é usando a classe Subqueries, que fabrica Criterions que envolvem a criação de subconsultas.

Para usar qualquer método da Subqueries precisamos de uma DetachedCriteria. Essa DetachedCriteria é um tipo especial de Criteria que não precisa da session do hibernate para ser criada. Dentro dela temos acesso a todos os alias e propriedades da Criteria principal, e o uso é o mesmo que faríamos para Criterias normais.

Já que temos a Subqueries na mão, vamos implementar a consulta, recebendo a lista dos cursos que queremos que o aluno esteja matriculado em todos eles:


public List<Aluno> alunosCursandoTodosEssesCursos(List<Curso> cursos) {
  Criteria criteria = session.createCriteria(Aluno.class, "a");
  Conjunction e = Restrictions.conjunction();
  for (Curso c : cursos) {
    e.add(Subqueries.exists(
      DetachedCriteria.forClass(Matricula.class, "m")
        .setProjection(Projections.id())
        .add(Restrictions.eqProperty("a.id""m.aluno.id"))
        .add(Restrictions.eq("m.curso",c))));
  }
  criteria.add(e);
  return criteria.list();
}

Ou seja, queremos que exista uma matrícula do aluno da Criteria principal para cada curso da lista passada.

Mas vamos pensar no seguinte: Essa lista de cursos provavelmente veio de outra consulta no banco, por que não usar essa consulta, ao invés da lista de cursos?! O jeito de fazer isso é usando o operador division que falamos no começo do post. Ele é meio complicado de implementar, pois você tem que pensar meio ao contrário do normal. Por exemplo, para implementar a consulta “Selecione os alunos que estão matriculados em todos os cursos” precisamos transformá-la para: “Selecione os alunos para os quais não exista nenhum curso para o qual não exista matrícula desse aluno para esse curso“, ou seja: um aluno que não exista nenhum curso em que ele não esteja matriculado. É estranho mas é assim mesmo que é feito. A Subqueries também possui o método notExists, então podemos fazer a seguinte consulta, que traz os alunos que fazem todos os cursos:


public List<Aluno> alunosCursandoTodosOsCursos() {
  Criteria criteria = session.createCriteria(Aluno.class, "a");
  criteria.add(Subqueries.notExists(
      DetachedCriteria.forClass(Curso.class, "c")
        .setProjection(Projections.id())
        .add(Subqueries.notExists(
            DetachedCriteria.forClass(Matricula.class, "m")
              .setProjection(Projections.id())
              .add(Restrictions.eqProperty("m.curso.id""c.id"))
              .add(Restrictions.eqProperty("m.aluno.id""a.id")                
        ))
      ));
  return criteria.list();
}

Não é um bicho de sete cabeças, mas também não é nada trivial. O código fica meio poluído por causa das chamadas estáticas, mas se você fizer o import static dos métodos a coisa melhora um pouquinho.

As restrições que você tinha colocado para buscar a lista de cursos dos métodos anteriores, você pode colocar na DetachedCriteria de Cursos, que vai funcionar do jeito que é esperado. Por exemplo: “Selecione os alunos que estejam matriculados em um curso noturno” vira “Selecione os alunos para os quais não exista algum curso noturno em que ele não esteja matriculado“. Mais ainda: você pode colocar restrições pertinentes na DetachedCriteria da matrícula, que também vai funcionar da forma esperada. Por exemplo: “Selecione os alunos que estejam com a matricula paga em todos os cursos” vira “Selecione os alunos para os quais não existe algum curso em que não exista matrícula paga nesse curso“.

Existem muitos casos em que o operador division salva sua vida então, mesmo que ele seja meio complicadinho, é bom saber que ele existe e ter uma boa referência de como implementá-lo =).

Além da Subqueries, existe outra classe muito útil que fabrica Criterions e Projections relacionados a uma propriedade fixa: a Property. Vale a pena olhar o javadoc do hibernate e ver a quantidade de opções de consultas que temos disponíveis. Existe um bug no hibernate que te obriga a setar uma Projection nas DetachedCriterias quando usadas dentro das Subqueries, se isso não é feito o hibernate nos presenteia com uma NullPointerException.

Novo Treinamento FJ-16: Laboratório Java com Swing, XML e Testes

Por Sérgio Lopes em 14/08/08

FJ-16 Laboratório SwingDepois de aprender bem o Java, uma pergunta comum de alunos e de usuários do GUJ é: como adquirir experiência e boas práticas? Com esse intuito criamos um novo treinamento, onde desenvolvemos uma aplicação desktop com Swing, que faz análise técnica da bolsa de valores, através de gráficos, usando como fonte uma base XML. É o FJ-16: Laboratório Java com Swing, XML e Testes.

FJ16

O mais interessante é que, durante o desenvolvimento da aplicação, aprendemos a aplicar diversos design patterns (como o Decorator entre indicadores), utilizamos testes unitários com JUnit, conhecemos as ferramentas Ant e Maven, aplicamos reflection e anotações, além de sempre estar refatorando o código inúmeras vezes.

Nesse treinamento, são colocados em prática também diversos conceitos da linguagem que usamos no dia-a-dia, como manipulação de datas, de XML, classes anônimas, classes internas, uso do log4J, entre outros.

Veja a ementa completa na página do treinamento. Temos turmas agendadas para final de agosto e começo de setembro. Entre em contato conosco para mais informações.

Effective Java: segunda edição

Por Paulo Silveira em 25/07/08

Effective Java Como sabemos, a segunda edição do Effective Java foi publicada. O autor é Joshua Bloch, um dos principais responsáveis pelo generics do Java, e atualmente chief java architect no Google. Esse livro é dividido em 78 itens, cada um com cerca de 3 páginas, atacando um ponto específico do java e orientação a objetos, explicando uma boa ou má prática. Simplesmente incrível, durante a leitura você sempre reconhece muita coisa que já aprendeu durante sua experiência de desenvolvimento.

Essa nova edição está estendida e revista, para cobrir as grandes mudanças do Java 5. Esse, juntamente com outros dois livros (e atualmente incluiríamos também o The Mythical Man-month), são de extrema importância para todo desenvolvedor na nossa opinião.

O Fernando Boaglio tem um resumo em seu blog, sobre todos os itens dessa nova versão. A Vanessa Sabino publicou anos atrás um resumo completo sobre a primeira edição, que você pode conferir na coluna da direita do seu blog.

O Fernando também postou no GUJ um link para uma excelente entrevista do Joshua Bloch, onde ele tenta resumir as más práticas, o java inefetivo: otimização prematura, e escrever o próprio código quando bibliotecas boas já existem. Além disso, Joshua Bloch é categório sobre a grande importância dos testes unitários: “Unit testing is key. And writing your tests first is a great thing.

Lendo essa nova edição e relembrando muito da edição anterior, escolhi aqui quatro itens que considero vitais, e vou falar sucintamente sobre cada um deles. Curiosamente todos os selecionados aqui já existiam na edição anterior, e estão mais relacionados a design que a idiomismos da linguagem, mas isso não tira a importância dos outros aqui não citados. Esses itens são muito debatidos no capítulo de Tópicos em Orientação a Objetos no nosso trienamento de Design e Arquitetura de projetos Java. Vamos a eles:

Item 15: Minimize mutabilidade

Classes imutáveis possuem uma série de vantagens: fáceis de manter, não possuem efeitos colaterais e acima de tudo são thread safe. Uma classe deve ser imutável a não ser que você tenha muito bons motivos para isso. Mesmo se não for possível tornar sua classe imutável, minimize a quantidade de métodos que alteram o estado do objeto. Um objeto previsível é muito mais simples de manter. Joshua Bloch cita String, BigInteger e diz que java.util.Date e java.awt.Point deveriam ter sido criadas imutáveis! Muitas APIs novas abusam da imutabilidade, como a Joda Time, classes wrapper, Money and Time do Eric Evans, etc. Aliás, é com o slogan da imutabilidade que linguagens como clojure e erlang tem chamado tanta atenção. Leia também essa citação no blog do Renato Lucindo.

Item 16: Favoreça composição em vez de herança

Esse é um tópico que já foi discutido anteriormente nesse post. O fato é o seguinte: é muito fácil usar herança de maneira errada, como é o caso de Stack extends Vector e Properties extends Hashtable. Mesmo quando usada corretamente, herança pode causar efeitos colaterais com muita facilidade, sendo que utilizar interfaces e composição pode substitui-la por completo, com o pequeno acréscimo de algumas linhas de delegação. Esse item também é citado no livro Design Patterns como um dos dois princípios básicos do bom design orientado a objetos.

Item 47: Conheça e use as bibliotecas!

Você conhece a ArrayDeque do java 6? Sabia que a java.util.Scanner pode ler facilmente arquivos com formatos caseiros, e já trazer para você doubles, Strings e até mesmo BigDecimals? Que JAXB e JAXWS podem agora ser usados apenas com Java SE? Sabia que a Collections possui hoje métodos para calcular a frequência de um elemento e inverter a ordem de um Comparator?. Conhecer bem a biblioteca padrão do Java pode te salvar de escrever muito código já existente, testado e de qualidade. java.io, java.lang e java.util são APIs que funcionam como base para todo desenvolvedor e merecem um estudo aprofundado.

Item 52: Refira a objetos pelas suas interfaces
Sem dúvida uma boa prática mais que necessária. Através dela conseguimos diminuir muito o acoplamento entre classes, deixando apenas uma fina camada entre elas: as interfaces. Sempre usar InputStream em vez de se acoplar em FileInputStream, sempre usar List em vez de se acoplar a ArrayList. Muitas vezes podemos ir mais longe, nesse último caso Collection pode ser o suficiente, ou até mesmo Iterable! Algumas pessoas levam isso tão a sério que nunca criam uma única classe concreta que não implemente uma interface. Esse item também é citado no livro Design Patterns, e é o outro princípio básico do bom design orientado a objetos desta forma: “Programe voltado a interface, e não a implementação“.

Ainda existem itens fundamentais sobre Enums, Exceptions, Concorrência e Generics. Esse livro é realmente importante na sua cabeceira. Boa leitura!

Não posso descobrir nem instanciar tipos genéricos! Porque?

Por Paulo Silveira em 28/04/08

São incontáveis os posts no GUJ com uma pergunta semelhante: “Posso extrair o nome de um tipo genérico?“, “Não consigo extrair tipo do genérico!“, “Utilizando generics para instanciar objetos“, entre outros. Curioso que esse tipo de pergunta tem aumentado muito nos últimos tempos, identificando um possível crescimento no uso do Java 5 em diante. Já era a hora!

Eu já havia postado sobre isso quando falei de reificação de tipos parametrizados, mas de uma maneira mais geral.

A questão básica é a seguinte: Se eu tenho um tipo genérico, que recebe um tipo parametrizado T como argumento, eu posso instanciar T de alguma forma?

Quem sabe tentar assim:

class Dao<T> {
  public T cria() {
    return new T();
  }  
}

Essa forma não funciona. Você não tem garantias sobre os construtores que o tipo T possui. E então se tentarmos assim:

class Dao<T> {
  public T cria() {
    return T.class.newInstance();
  }  
}

Aqui a sintaxe até poderia ser possível, mas infelizmente o java não sabe quem é T nem mesmo em tempo de execução. Nem mesmo com manipulação de bytecode ou qualquer outro recurso. Isso porque o compilador “apaga” essa informação depois de utilizada: é a tal da mal falada erasure.

Qual seria a vantagem da erasure?

Antes de mais nada: erasure não serve para poder rodar código do Java 5 em VMs Java 1.4 ou menor! Não é esse o objetivo.

Quando a JSR14 do generics foi proposta, eles queriam mais que compatibilidade para trás em relação a compilação, eles queriam também a possibilidade de migrar o código antigo para poder usar código novo: uma ArrayList precisa poder ser passada como argumento para alguém que receba List<QualquerClasse> como argumento!

Para ilustrar a situação, imagine que eu tenho uma aplicação grande X que usasse a classe ArrayList em muitos lugares (como a grande maioria das aplicações). Essa aplicação X usa a biblioteca B, que recebe List como argumento em muitos de seus métodos. Se um dia a bibioteca B passasse a usar List genérica, gostaríamos que a aplicação X atualizasse B sem maiores problemas: sem precisar recompilar nada, nem trocar nada no código fonte. O Neal Gafter escreveu muito sobre isso pouco antes da release do Java 5, dada as inúmeras críticas que eles estavam recebendo.

Se o Java tivesse optado por outra maneira de implementar generics, teria ou quebrado compatibilidade com o uso não genérico de classes que viraram genéricas, ou precisaria criar classes paralelas as atuais, praticamente copiadas e coladas, só que estas genéricas, tornando as antigas deprecated ou legadas.

Como o .NET resolveu o mesmo problema?

O .NET seguiu essa segunda forma, e criou uma hierarquia quase que paralela de coleções dentro do name space System.Collections.Generic.

A IList é a interface que define as operações em uma lista não genérica, e a ArrayList é sua implementação mais comumente usada. Quando entrou generics no .NET eles criaram uma outra interface para a lista, com mesmo nome, só que genérica: a IList<T>.

A classe List já é a implementação da interface genérica, e é ela quem você vai usar em vez de ArrayList. Ela possui uma definição bem estranha:

public class List : IList, ICollection,
    IEnumerable, IList, ICollection, IEnumerable

Ela implementa tanto a lista genérica como a não genérica. O .NET tem um recurso que nós não temos, que faz com que apesar dessa lista também implementar a interface não genérica, você só consegue invocar os métodos não genéricos (que trabalham com Object) se estiver se referenciando a ela explicitamente como uma lista não genérica, como o código abaixo:

IList x = new List<String>();
x.Add(2);

Apesar desse código compilar, no .NET temos essa informação dos tipos genéricos em tempo de execução, o que fará gerar uma exceção:

System.ArgumentException: The value "2" is not of type "System.String" e cannot be used in this generic collection

No Java teríamos apenas um unchecked warning na linha da declaração da referência, e uma possível ClassCastException mais a frente no código.

Aqui a vantagem é você poder passar uma List genérica para um código .NET antigo, que recebe como argumento uma IList não genérica. Além disso, no .NET você pode sim descobrir quem é T em tempo de execução:

class ClasseGenerica<T> {
  void metodo() {  Console.WriteLine(typeof(T))}
}

Em resumo: o sistema de generics do .NET é realmente seguro, não temos como burlá-lo através de unchecked casts, como ocorre em Java. O Java novamente sacrificou alguns recursos interessantes em favor a compatibilidade de versões e interoperabilidade entre classes genéricas e as não genéricas já existentes. Cada um com sua vantagem. Como citei no outro artigo, existem algumas idéias de dar suporte a tipos genéricos reificados no Java, ao mesmo tempo que outros ficariam ainda com a erasure, sendo que você pode escolher qual o que te agrada para aquela classe genérica em particular. Talvez ter as duas opções adicione ainda mais complexidade a tipagem genérica do Java, mas eu particularmente gosto da idéia.

Mais uma vez um post que era para ser sucinto ficou longo. Agradeço ao Rafael Steil e Rodrigo Kumpera pela colaboração, e ao Lucas Cavalcanti e Guilherme Moreira pedindo para que fosse elaborado um post mais completo sobre esse assunto tão pertinente.



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