Effective Java: segunda edição

Por Paulo Silveira em 25/07/08

Effective Java Como sabemos, a segunda edição do Effective Java foi publicada. O autor é Joshua Bloch, um dos principais responsáveis pelo generics do Java, e atualmente chief java architect no Google. Esse livro é dividido em 78 itens, cada um com cerca de 3 páginas, atacando um ponto específico do java e orientação a objetos, explicando uma boa ou má prática. Simplesmente incrível, durante a leitura você sempre reconhece muita coisa que já aprendeu durante sua experiência de desenvolvimento.

Essa nova edição está estendida e revista, para cobrir as grandes mudanças do Java 5. Esse, juntamente com outros dois livros (e atualmente incluiríamos também o The Mythical Man-month), são de extrema importância para todo desenvolvedor na nossa opinião.

O Fernando Boaglio tem um resumo em seu blog, sobre todos os itens dessa nova versão. A Vanessa Sabino publicou anos atrás um resumo completo sobre a primeira edição, que você pode conferir na coluna da direita do seu blog.

O Fernando também postou no GUJ um link para uma excelente entrevista do Joshua Bloch, onde ele tenta resumir as más práticas, o java inefetivo: otimização prematura, e escrever o próprio código quando bibliotecas boas já existem. Além disso, Joshua Bloch é categório sobre a grande importância dos testes unitários: “Unit testing is key. And writing your tests first is a great thing.

Lendo essa nova edição e relembrando muito da edição anterior, escolhi aqui quatro itens que considero vitais, e vou falar sucintamente sobre cada um deles. Curiosamente todos os selecionados aqui já existiam na edição anterior, e estão mais relacionados a design que a idiomismos da linguagem, mas isso não tira a importância dos outros aqui não citados. Esses itens são muito debatidos no capítulo de Tópicos em Orientação a Objetos no nosso trienamento de Design e Arquitetura de projetos Java. Vamos a eles:

Item 15: Minimize mutabilidade

Classes imutáveis possuem uma série de vantagens: fáceis de manter, não possuem efeitos colaterais e acima de tudo são thread safe. Uma classe deve ser imutável a não ser que você tenha muito bons motivos para isso. Mesmo se não for possível tornar sua classe imutável, minimize a quantidade de métodos que alteram o estado do objeto. Um objeto previsível é muito mais simples de manter. Joshua Bloch cita String, BigInteger e diz que java.util.Date e java.awt.Point deveriam ter sido criadas imutáveis! Muitas APIs novas abusam da imutabilidade, como a Joda Time, classes wrapper, Money and Time do Eric Evans, etc. Aliás, é com o slogan da imutabilidade que linguagens como clojure e erlang tem chamado tanta atenção. Leia também essa citação no blog do Renato Lucindo.

Item 16: Favoreça composição em vez de herança

Esse é um tópico que já foi discutido anteriormente nesse post. O fato é o seguinte: é muito fácil usar herança de maneira errada, como é o caso de Stack extends Vector e Properties extends Hashtable. Mesmo quando usada corretamente, herança pode causar efeitos colaterais com muita facilidade, sendo que utilizar interfaces e composição pode substitui-la por completo, com o pequeno acréscimo de algumas linhas de delegação. Esse item também é citado no livro Design Patterns como um dos dois princípios básicos do bom design orientado a objetos.

Item 47: Conheça e use as bibliotecas!

Você conhece a ArrayDeque do java 6? Sabia que a java.util.Scanner pode ler facilmente arquivos com formatos caseiros, e já trazer para você doubles, Strings e até mesmo BigDecimals? Que JAXB e JAXWS podem agora ser usados apenas com Java SE? Sabia que a Collections possui hoje métodos para calcular a frequência de um elemento e inverter a ordem de um Comparator?. Conhecer bem a biblioteca padrão do Java pode te salvar de escrever muito código já existente, testado e de qualidade. java.io, java.lang e java.util são APIs que funcionam como base para todo desenvolvedor e merecem um estudo aprofundado.

Item 52: Refira a objetos pelas suas interfaces
Sem dúvida uma boa prática mais que necessária. Através dela conseguimos diminuir muito o acoplamento entre classes, deixando apenas uma fina camada entre elas: as interfaces. Sempre usar InputStream em vez de se acoplar em FileInputStream, sempre usar List em vez de se acoplar a ArrayList. Muitas vezes podemos ir mais longe, nesse último caso Collection pode ser o suficiente, ou até mesmo Iterable! Algumas pessoas levam isso tão a sério que nunca criam uma única classe concreta que não implemente uma interface. Esse item também é citado no livro Design Patterns, e é o outro princípio básico do bom design orientado a objetos desta forma: “Programe voltado a interface, e não a implementação“.

Ainda existem itens fundamentais sobre Enums, Exceptions, Concorrência e Generics. Esse livro é realmente importante na sua cabeceira. Boa leitura!

Domain-Driven Design no Falando em Java 2008

Por Sérgio Lopes em 26/05/08


No Falando em Java 2008, apresentei uma palestra introdutória sobre Domain-Driven Design. Apesar do tempo curto, os comentários foram ótimos! Muito obrigado a todos os que comentaram: pessoas no evento, blogs e GUJ. Falar de DDD em 40 min foi meu maior desafio e acabou faltando um pouquinho de tempo no final, mas deu para passar a mensagem.

Domain e Ubiquitous Language

O ponto fundamental do DDD é o primeiro D, o Domain. Tudo gira em torno desse tal de Domínio. O domínio é, em poucas palavras, o problema que queremos resolver com o programa que estamos desenvolvendo. Alguém (um cliente) tem um problema na área de atuação dele (geralmente nada a ver com informática) e contrata uma equipe de programação para ajudá-lo (nós :).

Segundo o DDD, é impossível resolver esse problema satisfatoriamente sem entender direito o que acontece no domínio do cliente. Não basta os desenvolvedores saberem mais ou menos: é necessário entrar fundo no domínio do cliente.

Mas é claro que nosso objetivo não é se tornar um especialista completo na área do cliente, mas apenas compreendê-la. A palavra-chave para isso acontecer é Conversa. Conversa constante e profunda entre os especialistas de domínio e os desenvolvedores.

Aqueles que conhecem o domínio em detalhes devem conversar com aqueles que conhecem programação em detalhes. Juntos, tentarão chegar a uma língua comum em que todos consigam se entender e que será usada em todas as conversas. É o que o DDD chama de Ubiquitous Language: uma língua baseada nos termos do domínio, não totalmente aprofundada neste, mas suficiente para descrever o problema satisfatoriamente.

Construção do Domain Model

Durante a conversa constante, todos juntos chegarão a um consenso sobre o Domínio. Os especialistas de domínio eventualmente criarão simplificações para facilitar a conversa; e os desenvolvedores podem introduzir conceitos técnicos simples.

Com isso, todos criam um modelo do domínio. É uma abstração do problema real, desenvolvida em conjuntos pelos especialistas do domínio e desenvolvedores. No DDD, é chamado de Domain Model.

É esse modelo que os desenvolvedores vão implementar em código. Literalmente. Item por item, como foi acordado por todos. Será desenvolvido um código limpo, com palavras do domínio, que representa, na programação, o domínio em discussão.
Foto do Sérgio no FJ2008
Usando DDD, seu programa orientado a objetos deve expressar a riqueza do domain model. Qualquer mudança no modelo (e, acredite, isso é muito comum) deve ser refletida imediatamente no código. Se algo do modelo torna-se inviável de se implementar tecnicamente, não se faz um “ajustezinho” no código; o modelo deve ser mudado para ser mais fácil de se implementar.

Ou seja, sempre seu código será expressão do modelo, que por sua vez é baseado totalmente no domínio.

Implementando o Domain Model

O DDD define uma série de patterns para facilitar a implementação do modelo em código. Mas, com absoluta certeza, esse não é o ponto principal do DDD. São apenas ferramentas que facilitam essa implementação.

Na palestra, mostrei alguns patterns de forma bem simples e rápida, como Entity e Value Object. E mostrei o tão discutido, debatido e mal-compreendido Repository.

O cliente descreve ao desenvolvedor o seguinte problema: “preciso saber todos os peixes que são da cor azul”. (na palestra, usei o exemplo de uma loja de peixes) Para o cliente, é natural em seu domínio, que se consiga “buscar” coisas. A idéia é recuperar “objetos” do domínio (entities) previamente conhecidos, baseado eventualmente em algum critério.

A noção de repositório surge justo dessa necessidade: chegar nos objetos de conhecimento do domínio. Na palestra, eu levantei a questão de que o nome repositório não deve ser algo interno ao código, mas deve fazer parte da Ubiquitous Language, deve aparecer nas conversas e no Domain Model. Ou seja, repositório deve ser um conceito que o especialista de domínio também entende e, por que está no Model, é ele que vai para o código.

Não há problema em trazer palavriado técnico para a Ubiquitous Language, desde que o príncipio da UL seja mantida: todos entendem o conceito. E, se, eventualmente, no contexto do domínio sendo tratado, outro nome faça mais sentido que repositório, esse nome deve ser usado (mesmo que nós técnicos saibamos que no fundo aquilo é um repositório).

Repositório como interface? Classe concreta delegando? DAO implementa Repository?
Tanto faz. Um outro ponto fundamental do DDD é: nada tem resposta definitiva. Se você entende a questão toda do Domain Model e aplica essa noção na programação, pode usar diversas formas diferentes de implementar tudo isso.

Na palestra, eu representei o Repository como uma interface dentro do Model. E a implementação (que, do ponto de vista do DDD, não importa) era um DAO com Hibernate na camada de infraestrutura.

Concluindo

Meu ponto principal na palestra foi mostrar a Ubiquitous Language e o Domain Model, que são o coração do DDD. Vou escrever um segundo artigo com códigos e mais comentários da palestra, mas paro esse artigo gigante por aqui.

Termino linkando para um excelente post do Philip Calçado que ele publicou essa semana (parece até que combinamos) sobre DDD falando justo que o que conta no DDD é o Domínio e não os Patterns. Ele conta uma historinha de um projeto onde todos “entendiam” DDD, usavam Repositórios, Entities etc, mas infelizmente não falavam a mesma língua do domínio.

Não posso descobrir nem instanciar tipos genéricos! Porque?

Por Paulo Silveira em 28/04/08

São incontáveis os posts no GUJ com uma pergunta semelhante: “Posso extrair o nome de um tipo genérico?“, “Não consigo extrair tipo do genérico!“, “Utilizando generics para instanciar objetos“, entre outros. Curioso que esse tipo de pergunta tem aumentado muito nos últimos tempos, identificando um possível crescimento no uso do Java 5 em diante. Já era a hora!

Eu já havia postado sobre isso quando falei de reificação de tipos parametrizados, mas de uma maneira mais geral.

A questão básica é a seguinte: Se eu tenho um tipo genérico, que recebe um tipo parametrizado T como argumento, eu posso instanciar T de alguma forma?

Quem sabe tentar assim:

class Dao<T> {
  public T cria() {
    return new T();
  }  
}

Essa forma não funciona. Você não tem garantias sobre os construtores que o tipo T possui. E então se tentarmos assim:

class Dao<T> {
  public T cria() {
    return T.class.newInstance();
  }  
}

Aqui a sintaxe até poderia ser possível, mas infelizmente o java não sabe quem é T nem mesmo em tempo de execução. Nem mesmo com manipulação de bytecode ou qualquer outro recurso. Isso porque o compilador “apaga” essa informação depois de utilizada: é a tal da mal falada erasure.

Qual seria a vantagem da erasure?

Antes de mais nada: erasure não serve para poder rodar código do Java 5 em VMs Java 1.4 ou menor! Não é esse o objetivo.

Quando a JSR14 do generics foi proposta, eles queriam mais que compatibilidade para trás em relação a compilação, eles queriam também a possibilidade de migrar o código antigo para poder usar código novo: uma ArrayList precisa poder ser passada como argumento para alguém que receba List<QualquerClasse> como argumento!

Para ilustrar a situação, imagine que eu tenho uma aplicação grande X que usasse a classe ArrayList em muitos lugares (como a grande maioria das aplicações). Essa aplicação X usa a biblioteca B, que recebe List como argumento em muitos de seus métodos. Se um dia a bibioteca B passasse a usar List genérica, gostaríamos que a aplicação X atualizasse B sem maiores problemas: sem precisar recompilar nada, nem trocar nada no código fonte. O Neal Gafter escreveu muito sobre isso pouco antes da release do Java 5, dada as inúmeras críticas que eles estavam recebendo.

Se o Java tivesse optado por outra maneira de implementar generics, teria ou quebrado compatibilidade com o uso não genérico de classes que viraram genéricas, ou precisaria criar classes paralelas as atuais, praticamente copiadas e coladas, só que estas genéricas, tornando as antigas deprecated ou legadas.

Como o .NET resolveu o mesmo problema?

O .NET seguiu essa segunda forma, e criou uma hierarquia quase que paralela de coleções dentro do name space System.Collections.Generic.

A IList é a interface que define as operações em uma lista não genérica, e a ArrayList é sua implementação mais comumente usada. Quando entrou generics no .NET eles criaram uma outra interface para a lista, com mesmo nome, só que genérica: a IList<T>.

A classe List já é a implementação da interface genérica, e é ela quem você vai usar em vez de ArrayList. Ela possui uma definição bem estranha:

public class List : IList, ICollection,
    IEnumerable, IList, ICollection, IEnumerable

Ela implementa tanto a lista genérica como a não genérica. O .NET tem um recurso que nós não temos, que faz com que apesar dessa lista também implementar a interface não genérica, você só consegue invocar os métodos não genéricos (que trabalham com Object) se estiver se referenciando a ela explicitamente como uma lista não genérica, como o código abaixo:

IList x = new List<String>();
x.Add(2);

Apesar desse código compilar, no .NET temos essa informação dos tipos genéricos em tempo de execução, o que fará gerar uma exceção:

System.ArgumentException: The value "2" is not of type "System.String" e cannot be used in this generic collection

No Java teríamos apenas um unchecked warning na linha da declaração da referência, e uma possível ClassCastException mais a frente no código.

Aqui a vantagem é você poder passar uma List genérica para um código .NET antigo, que recebe como argumento uma IList não genérica. Além disso, no .NET você pode sim descobrir quem é T em tempo de execução:

class ClasseGenerica<T> {
  void metodo() {  Console.WriteLine(typeof(T))}
}

Em resumo: o sistema de generics do .NET é realmente seguro, não temos como burlá-lo através de unchecked casts, como ocorre em Java. O Java novamente sacrificou alguns recursos interessantes em favor a compatibilidade de versões e interoperabilidade entre classes genéricas e as não genéricas já existentes. Cada um com sua vantagem. Como citei no outro artigo, existem algumas idéias de dar suporte a tipos genéricos reificados no Java, ao mesmo tempo que outros ficariam ainda com a erasure, sendo que você pode escolher qual o que te agrada para aquela classe genérica em particular. Talvez ter as duas opções adicione ainda mais complexidade a tipagem genérica do Java, mas eu particularmente gosto da idéia.

Mais uma vez um post que era para ser sucinto ficou longo. Agradeço ao Rafael Steil e Rodrigo Kumpera pela colaboração, e ao Lucas Cavalcanti e Guilherme Moreira pedindo para que fosse elaborado um post mais completo sobre esse assunto tão pertinente.

Entendendo o serialVersionUID

Por Paulo Silveira em 01/04/08

O serialVersionUID é uma dúvida constante entre muitos desenvolvedores. Afinal, quando e para que exatamente usá-lo? Devo gerar um número aleatório bem grande, ou um número qualquer? Essas perguntas são comuns, e ao desenvolvedor experiente é necessário conhecer a fundo esse detalhe do processo de serialização do Java.

Quando um objeto é serializado no Java, essa sequência de bytes, além de conter seus atributos de instância não transientes, carrega consigo um número que indentifica a “versão” da classe que foi usada durante o processo. Esse é o chamado serialVersionUID, ou seja, o indentificador de versão de serialização de uma classe. Esse número é utilizado para saber se o objeto que estamos recuperando é de uma versão “compatível” com a versão da classe que foi utilizada quando serializamos o objeto: em outras palavras, os arquivos .class não precisam ser necessariamente os mesmos para que o processo de serialização ocorra com sucesso.

Por exemplo, considere a seguinte classe Usuario:

package br.com.caelum;

public class Usuario implements Serializable {
  private String login;
}

Essa classe possui o serialVersionUID igual a 2806421523585360625L. Esse número não é aleatório! Ele é um hash (SHA) calculado em cima dos nomes dos seus atributos, e assinaturas dos métodos em uma ordem bem definida pela especificação do processo de serialização. E como eu sei esse número? O JDK vem com a ferramenta serialver, que implementa esse mesmo hash:

serialver br.com.caelum.Usuario

Se o serialVersionUID utilizado durante a serialização não bater exatamente com o serialVersionUID da classe que está sendo usada para recuperar essa informação, uma exception é lançada: java.io.InvalidClassException.

Por exemplo, se adicionarmos um novo atributo na nossa classe Usuario:

public class Usuario implements Serializable {
  private String login;
  private String senha;
}

Agora teremos o serialVersionUID valendo 416295346730660862L. Caso você serialize um Usuario com a primeira classe aqui definida, e tentar recuperar essa informação usando essa nova versão de classe, receberemos a conhecida java.io.InvalidClassException. Esse é o comportamente que em muitos casos queremos, mas algumas vezes fazemos pequenas modificações na classe as quais percebemos que não impactarão no processo de serialização, e precisamos manter compatibilidade com a versão antiga daquela classe. Para isso, basta definirmos explicitamente qual é o nosso serialVersionUID, e no caso de querer manter compatibilidade com a classe Usuario anterior, vamos utilizar o valor de serialVersionUID que seria gerado pela JVM: 2806421523585360625L. O código ficaria:

public class Usuario implements Serializable {
  private static final long serialVersionUID = 2806421523585360625L;
  private String login;
  private String senha;
}

Às vezes recebemos um warning do Eclipse, e ele pede para que seja definido o serialVersionUID da classe em questão. Isso ocorre porque você implementa Serializable ou uma de suas mães a implementa. O Eclipse então te abre três opções: utilizar o @SurpressWarnings para você assumir o risco, usar um valor default, ou usar o valor gerado. O gerador de UIDs do Eclipse é exatamente o mesmo gerador utilizado pelo Java SE para criar os UIDs padrão! Reforçando, esse número não é um número aleatório!

serialVersionUID

Quando alguém esquece de manter o mesmo serialVersionUID para duas versões compatíveis de uma classe, podemos ter problemas em usar diferentes versões do software que são teoricamente compatíveis. Isso muitas vezes acontece em servidores de aplicação, e se seu cliente esta desatualizado em relação a versão dos jars necessários pelo servidor, podemos ter alguns InvalidClassExceptions que poderiam ser facilmente evitados se o serialVersionUID tivesse sido corretamente aplicado. Claro que algumas outras vezes as versões realmente não são compatíveis e a exception procede.

Esse grave problema pode acontecer mesmo usando classes do Java SE entre diferentes versões, como é o caso da classe java.text.AttributedCharacterIterator.Attribute (utilizada pela java.awt.Font). Do Java 1.3 para o Java 1.4 essa classe foi levemente alterada, e o serialVersionUID gerado pelo algoritmo da JVM desta classe mudou de -1514471214376796190L para -9142742483513960612L. Quando alguém serializava uma java.awt.Font em uma versão não podia desserializa-la em outra, sendo que as versões tecnicamente são compatíveis: a não definição explícita do serialVersionUID gerou um bug no Java SE. Como isto foi resolvido? Definiram o serialVersionUID como -1514471214376796190L, que é o valor que seria gerado pela JVM na versão anterior da classe.

Como então devemos proceder para escolher um serialVersionUID apropriado? É muito simples: se essa classe está nascendo neste momento, você pode se dar ao luxo de utilizar um serialVersionUID, como por exemplo:

public class Usuario implements Serializable {
  private static final serialVersionUID = 1L;
  private String login;
}

Porém se você está definindo o serialVersionUID de uma classe já em produção, e sabe que a mudança que está fazendo é compatível com a versão anterior, você deve utilizar o serialVersionUID que seria gerado pela JVM na primeira versão, como foi o caso aqui quando adicionamos o atributo senha na classe Usuario, e também foi o caso da correção do bug da classe java.text.AttributedCharacterIterator.Attribute. Quando você fizer uma alteração onde percebe que o cliente precisará de atualização das classes envolvidas, basta definir um serialVersionUID diferente dos anteriormente utilizados.

Para completar, implementar uma interface que não define métodos (Serializable) e ser forçado a escrever um atributo sem um contrato mais burocrático é um tanto estranho em uma linguagem como o Java. Sem dúvida, se esse mecanismo todo tivesse sido inventado já com a existência de anotações, Serializable seria uma anotação e version um atributo dela, talvez obrigatório, criando algo como @Serializable(version=12345L). Boas serializações e invocações remotas!

Repository: seu modelo mais Orientado a Objeto

Por Fabio Kung em 09/06/07

Já tem algum tempo que a excelente discussão no GUJ estava me motivando a escrever a respeito.

Para ambientar, a principal discussão é usar:

Fornecedor fornecedor = ...;
List contas = dao.carregaContasPagasDesde1999(fornecedor);


Ou:

Fornecedor fornecedor = ...;
List contas = fornecedor.getContasPagasDesde1999()


Já que posts na forma de diálogos costumam ser muito interessantes, aproveito um papo que eu e o Paulo Silveira tivemos.

Paulo: credo, achei horroroso isso da classe de domínio acessar o repositório
Paulo: mas fica bonitinha a sentença

Fabio: horroroso pq? vc prefere procedural?
Fabio: repositório é domínio tb
Fabio: um List, um Map são repositórios
Fabio: vc acha acessar List e Map horroroso?

Paulo: tem certa razão
Paulo: mas entao poderia chamar o DAO diretamente de repositório

Fabio: em muitos casos poderíamos
Fabio: eu só estava pensando num jeito legal de injetar

Paulo: desde que o cara não receba os objetos de dominio

Fabio: talvez com interceptor de session, ou listener
Fabio: ou então injeta nos métodos load()

Paulo: então. Complicado um Usuario sempre precisar de Repositorio!

Fabio: todo usuário não
Fabio: só Usuário Managed
Fabio: quando vc dá new num Usuário, vc tb não consegue navegar em relacionamentos
Fabio: só faz sentido pegar relacionamento em managed

Paulo: certo
Paulo: mas olha só
Paulo: vai ter Usuario com repositório e outro sem
Paulo: em alguns vc vai poder chamar o método que faz buscas, em outros não

Fabio: mas isso já é assim

Paulo: não com o dao

Fabio: imagina Usuario @OneToMany Categoria

Paulo: certo

Fabio: vc só consegue chamar usuario.getCategorias() no managed, mesma coisa
Fabio: só vai poder chamar usuario.getCategoriasEspeciais() no managed
Fabio: não adianta dar new Usuario().getCategoriasEspecias();

Paulo: hum… entendi! Podia ser um interceptor como fizemos no caelumweb
Paulo: aí ele setava um atributo privado

Fabio: Ou então o próprio load do dao/repository pode fazer isso.

Paulo: mas sei la, baita arquiteturazinha complicada

Fabio: nada! só injetar o repositório
Fabio: o resto é simples
Fabio: em vez de chamar no dao, que é procedural, chama via getter

Paulo: não não, você tem razão. É facílimo de implementar
Paulo: mas tipo, é muita coisa

Fabio: muita coisa do jeito que estão falando no tópico do GUJ! 500 camadas…
Fabio: Repository não precisa nem ser interface

Paulo: aquele interceptador que fizemos para gravar no lucene já não gosto muuuuito

Fabio: Repository pode ter referência para Session
Fabio: e não precisa injetar o repositorio na entidade com listener/interceptor
Fabio: poderia ser:

public class Repository {
  private final Session session;
  public Repository(Session session) {
    this.session = session;
  }
  
  public void get(Long id) {
    // poderia delegar para um dao, se fosse necessário
    Usuario u =  session.load(id);
    u.setRepository(this);
  }
}

Fabio: ou seja, na hora que você recupera uma Entidade managed, ela já vem com o repositório embutido…

Paulo: dessa maneira dá um pouco mais de responsabilidade para os beanzinhos entidades né? fica legal

Fabio: isso!

Paulo: proximo projeto vamos tentar essa abordagem?

Fabio: demorou… ;)
Fabio: hoje em dia, se vc quiser mostrar um objeto e alguma pesquisa personalizada, vc tem que consultar o objeto e a lista nas lógicas
Fabio: separados! E aí ejetar os dois
Fabio: muito feio
Fabio: geralmente faz-se isso (código usando algum controlador ruinzinho):

public class Logica // extends Action? ;)
  public void mostraFornecedorEContasPagas() {
    Long id = request.getParameter("id")// século passado...
    Fornecedor f = fornecedorDAO.load(id)
    List<Conta> contasPagas = contasDAO.listaContasPagasDoMes(fornecedor);
    // ejeta tudo para mostrar na view. No século passado seria:
    request.setAttribute("fornecedor", fornecedor);
    request.setAttribute("contasPagas", contasPagas);
  }
}

Fabio: MUITO procedural!

Paulo: cara se aplicarmos essas idéias, com velocity isso ia ficar ANIMAL
Paulo: Ia dar para chamar os métodos a la DAO direto no beanzinho

Fabio: ISSO!

Paulo: #foreach contas in contas.desde(1994)

Fabio: é meu, legal né?
Fabio: com JSP EL dá tb

Paulo: mais ou menos, teriamos de mexer nos evaluators

Fabio: não, soh usar padrão javabean
Fabio: ahhh vc quer passar parâmetro, aí EL não rola mesmo
Fabio: mas é puro DDD, já fiquei pensando bastante sobre o assunto
Fabio: ultimamente que tenho enxergado um jeito legal de aplicar

Paulo: bacana
Paulo: acho q vale a gente testar
Paulo: parava de ficar enfiando getters para expor as coisas para view.
Paulo: FABIO TODO: blogar sobre isso

Feito! ;)