Crazy Eights – Uma técnica rápida e visual para explorar ideias com seu time

Quando estamos trabalhando em um projeto de interface, depois de entender e estudar nosso problema/ideia, chega um momento que precisamos materializar as nossas soluções. No mercado, se percebe (não é regra) o hábito de ir direto para os wireframes de alta fidelidade. Não chega a ser um problema, mas há outros caminhos e um deles é começar a desenhar em papel. A vantagem de desenhar em papel é que, além de ser mais rápido, “rabiscar” no papel também possibilita que todos da equipe (não apenas designers) possam contribuir e compartilhar suas ideias e ajudar a conceber a solução, evitando retrabalhos e idas e vindas em um wireframe de alta fidelidade. Uma técnica que busca juntar a informalidade e rapidez do rabiscoframe com um geração de ideias é chamada 8 steps (ou crazy eights).

8 Steps ou Crazy Eights é uma técnica adaptada do gamestorming que se chama “6-8-5”. Essa técnica ganhou fama através do Design Sprint (processo criado pela Google Ventures para responder questões críticas de negócios através de design, prototipagem e teste das ideias), pois nele o 8 steps foi adotado como o ponta pé inicial do processo de materializar ideias sobre um produto no papel.

A ideia do 8 steps é ajudar o time a sair da sua zona de conforto e das ideias mais óbvias. Naturalmente, temos uma forte tendência a ficar com as primeiras ideias que temos, ao invés, de tomar um tempo para explorar abordagens complementares. Essa técnica é projetada justamente para combater esse padrão, pois ajuda o time a gerar muitas ideias, sem se preocupar com os detalhes ou implementação de qualquer ideia em particular. Além disso, essa técnica também funciona como um bom exercício de aquecimento para levar o time envolvido a pensar visualmente e tomar consciência do poder do pensamento visual para representar informações.

Embora você vai estar gerando ideias, não pense nisso como o brainstorming, pelo menos não do tipo que todo mundo está conversando e interagindo. Em vez disso, em um primeiro momento, todos da equipe estarão trabalhando silenciosamente e individualmente, muitas vezes em torno da mesma mesa.

Basicamente, cada indivíduo do time é convidado a esboçar 8 ideias em 5 minutos. Sim, se você já fez as contas, isso é cerca de 40 segundos por esboço, o que é um pouco “crazy“, mas ao mesmo tempo é uma ótima maneira de “obrigar” você a desligar a auto-edição e apenas colocar suas ideias no papel. Vale destacar também, que não é um storyboard ou um fluxo de navegação, as ideias não precisam estar em sequencia ou contar uma narrativa coesa. Na verdade, o foco é gerar 8 ideias totalmente diferentes, de forma rápida e visual para o seu produto/ideia. Você pode estar se perguntando? E se eu não tiver 8 ideias? Se isso acontecer e você se sentir preso, tente repetir um dos esboços anteriores com uma pequena variação, esse tipo de exploração é útil e mantêm você em movimento. Com o tempo e prática, você percebe que você estará mais relaxado e automaticamente se torna mais produtivo em dinâmicas como essa, apenas deixando fluir suas ideias.

B863C982-AF41-485C-8606-9CE2CA24DB7C

Aqui no curso de UX da Caelum, trabalhamos com dois tipos de gamestorming para 8 steps. O primeiro, conhecido por “Momentos chaves”, é indicado para quando estamos em um processo muito inicial do nosso produto/ideia e ainda estamos buscando entender nosso problema. Entenda que por “momentos-chave”, estamos nos referindo as diferentes experiências possíveis e interações que o usuário tem com o software. Um momento pode ser uma tela propriamente dita, ou uma interação (o usuário vai clicar, vai dar zoom, vai deslizar o dedo sobre a tela?) ou ainda um caso de uso (onde o seu usuário vai estar usando o seu produto? Quando que o seu produto vai intervir na vida do usuário?). Já o outro 8 steps, elimina os casos de uso e interações e foca mais na concepção da telas propriamente dito. Esse segundo é usado normalmente, quando temos uma ideia mais clara do nosso produto/ideia e já conseguimos imaginar como nossa aplicação vai funcionar.

Para obter melhores resultados, sempre tente aplicar pelo menos duas rodadas do Crazy Eights. Com certeza, na segunda rodada, a equipe vai sofrer mais para gerar as 8 novas ideias. Fazendo uma analogia rápida, é como se a gente tivesse raspando o fundo do pote, o que torna tudo mais doloroso para se conseguir novas ideias. No geral, na primeira rodada os participantes vão gastar as suas oito ideias mais óbvias. A segunda rodada é, justamente, para reforçar a questão de sair da zona de conforto e fazer cada participante buscar ideais mais inovadoras. Vale destacar que não significa que você vai abandonar as ideias antigas, elas tendem a vir na sua mente por serem mais fortes, mas vale uma segunda rodada justamente para poder ir além do óbvio e ter mais opções e situações para se analisar sobre o projeto/ideia.

Gamestorming – 8 steps – Momentos chaves

Objetivo
Materializar as ideias (telas, caso de uso e interação) que temos sobre o nosso aplicativo no papel de forma rápida e visual.

Ambiente

  • As ideias/histórias/cenários descritos nos gamestorming anteriores.
  • Folha A3
  • Canetinhas

Regras

  • Duração de 5 minutos;
  • Cada integrante do time deve fazer um 8 steps mesmo sem habilidades artísticas.

Passo a Passo

  • Distribua folha A3 em branco e canetas para todos os participantes.
  • Faça com que todos dobrem a folha de papel 3 vezes de modo que todos eles tenham a folha divida em 8 pedaços.
  • Peça à equipe que desdobre o papel e observe a grade de 8 retângulos foi criada.
  • Dê 5 minutos no total para desenhar oito momentos chaves, uma média de 40 segundos para cada quadro.
  • Ao longo do exercício continue a lembrar as pessoas do tempo e se certificar de que está claro o que elas devem esboçar
  • Repita conforme necessário.

Obs: Lembre-se que você pode aplicar esse mesmo gamestorming desconsiderando casos de uso e interação e apenas focado em telas quando sua equipe já tem uma ideia mais clara do que estão criando.

Uma vez que o gamestorming está finalizado, convide cada participante para compartilhar seus esboços favoritos, obter feedback do seu time e definirem quais steps são fundamentais para o seu produto/ideia funcionar. Aqui, por exemplo, pode-se usar a técnica do zen-voting para fazer a seleção final.

10 Comentários

  1. Lennon Jesus 04/04/2016 at 16:40 #

    Crazy!

  2. Eduardo 04/04/2016 at 21:34 #

    Caraca, muito interessante!

  3. Raphael Gregolin 04/04/2016 at 22:00 #

    Uau! Definitivamente vou sugerir essa prática no próximo projeto que participar, adorei!!!

  4. carolina bonturi 05/04/2016 at 07:50 #

    Parabéns pelo artigo, Carla! Grande time o da Caelum 🙂

  5. Luiz Estevam 05/04/2016 at 11:17 #

    Interessante!!

  6. Red 19/04/2016 at 16:18 #

    Adoro essa técnica! O artigo esclareceu perfeitamente!

  7. Dieine 27/04/2016 at 10:18 #

    Muito bacana o post e acho interessante que essa técnica também pode ser utilizada nos mais diferentes contextos como por exemplo a estruturação de um novo processo da empresa, uma campanha. entre diversos outros segmentos. Parabéns Carla de Bona pela ótima didática.

  8. Victor Kurauchi 19/05/2016 at 16:52 #

    Muito muito bom ! Vimos no curso aí na Caelum e aplicarei em breve em um novo projeto 🙂
    Thanks for sharing.

Deixe uma resposta