Minority Report e as interfaces naturais de usuário

Quando surgiu a necessidade de interagimos com máquinas há sei lá quantos anos, pensamos primeiramente em passar as instruções via comandos de texto (CLI – command line interface) e depois com uma interface gráfica (GUI – graphic user interface).

Há também outro tipo de interface, a chamada NUI – Natural User Interface, e é desse cara que quero focar nesse post.

O que é NUI?

É uma interface invisível. Simples assim.
Mas terá o futuro já chegado? Impossível uma interface não existir! Como o usuário interagiria com um aplicativo sem um botão, por exemplo?

Te pergunto: como você dá zoom no aplicativo do Google Maps?
Provavelmente usa a movimento de pinça, sem precisar clicar em nenhum botão.

gesto-pinca-zoom
Seria muito mais fácil colocar os botões correspondentes (mais zoom/menos zoom), mas a tecnologia evolui, e também suas interfaces, que tendem a ficar cada vez mais intuitivas. Exemplifico isso aqui com o Hololens, Kinect e realidade aumentada, todos feitos para serem naturalmente fáceis para que o usuário interaja.

interface-natural-usuario-exemplos

E um vídeo que o Paulo Silveira me mandou há uns dias que mostra uma interface para o Oculus Rift, muito bacana por sinal:

Vantagens

Fácil de aprender
NUIs são projetadas para usar o comportamento natural de nós usuários, o que acaba diminuindo a curva de aprendizado.

Fácil de usar
Pegando o movimento de pinça como exemplo novamente, ele tenta remeter a ideia de quando precisamos ver algo melhor, simplesmente aproximamos esse objeto de nós. Ou seja, uma metáfora ao mundo real.

Desvantagem

Por ser algo mais aberto, a NUI pode vir a não ser muito precisa.
Pensando em interfaces de voz, elas ainda possuem alguns problemas em reconhecer o que o usuário diz, ainda mais com o obstáculo idioma em jogo. Creio que essa falta de precisão, tende e encostar em 0, conforme o tempo vai passando.

Características de uma NUI

Dan Saffer, autor do livro “Designing Gestural Interfaces” listou 12 princípios básicos de design NUI, que acho que vale um post à parte. Destaco rapidamente os seguintes:

  • Projete para dedos, e não cursores
  • Conheça a tecnologia
  • Quanto mais difícil o gesto, menos pessoas conseguirão executá-lo
  • Ative as ações no “soltar”, e não no “pressionar”

Como pensar em NUI

É fato que uma interface mais limpa, que dê um aspecto clean, um ar mais sofisticado.
Sem aqueles quinze botões que você pretende (pretendia!) colocar no seu app, o usuário ficará perdido?

Tente tirar os botões, pense em como os gestos por touch (swipe, double tap, etc) o ajudariam a usar seu aplicativo. Vá eliminando os elementos de interface e faça testes, não esquecendo de mensurar tudo.

swipe-inbox

O futuro? OUI!

Há ainda outro tipo de interface, a chamada Organic User Interface, ou Interface de Usuário Orgânica, que se refere a interfaces em telas não planas, que podem dar um feedback visual mudando sua forma física, daí que vem o nome de “orgânico”.
Acredito que por enquanto é um pouco complicado falar disso, pois não enxergo isso como realidade prática hoje. É como se fossêmos pensar em apps sem ter smartphones em mãos.

flexible-screen

 

Termino esse post com uma frase de um dos diretores de Design / UX da Microsoft:

O conteúdo é a interface — Sam Moreau

Nós falamos de UX e interfaces em geral no curso de UX e Usabilidade aplicados em Mobile e Web aqui na Caelum.

E você? Como imagina o futuro quando pensa em interfaces? Minority Report mesmo?


 

Imagem do destaque.

 

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4 Comentários

  1. Hugo Almeida 01/04/2016 at 11:06 #

    Natan, parabéns pelo post, assunto que eu imagino muitos cenários para o futuro.

    Imaginar como Minority Report, seria o mesmo que regredir um pouco, acho que podemos ir além (momento de viajar nas ídeias rsrs), tem a ideia que foi mostrada no filme do homem de ferro que ele não manuseia somente pela tela mas também através de Hololens como você disse acima também, e sem contar também que a imaginação para esse tipo de interface pode surpreender muito…
    Imagino também algo parecido com o anime SAO, na verdade parte dele já é realidade, né…
    MUito legal seu post….

  2. Natan Souza 01/04/2016 at 19:24 #

    Oi Hugo, muito obrigado pelo comentário e elogio! Realmente no filme parece algo ultra tecnológico, quando seria de fato um retrocesso, concordo contigo! Eu chutaria algo numa pegada mais Wall-E. Abcs!

  3. Cauê Paz 08/04/2016 at 14:06 #

    Oi Natan, penso mesmo na inovação quando o reconhecimento de voz não estiver mais limitações entre idiomas e seus sotaques. Acho que uma das ótima melhorias que o futuro nos reserva é automatização por comando de voz. Por mais que tenha sido criada e é usada há algum tempo tenho certeza que tem muito para evoluir.
    Ex: Adoraria chegar em casa e ativar o J.A.R.V.S. sem ligar nenhum aparelho, apenas uma key word para tirá-lo do stand by. Já pensou que massa? A Siri e o Google Now tem isso mas ainda falta muito para entenderem nosso dialeto por completo.

    Abraços.

  4. Natan Souza 08/04/2016 at 16:39 #

    Oi Cauê, obrigado pelo comentário. Dona Microsoft está correndo atrás desse problema de idioma no Skype, a ideia é traduzir em tempo real. E pq esperar chegar em casa para ativar o JARVS? Talvez ele fique online no nosso relógio/oculus/celular o tempo todo! Abcs!

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