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Hipermídia e contratos dinâmicos: menor acoplamento

Por Guilherme Silveira em 17/12/09

Nos últimos anos você vem comprando livros em um website: você acessa o site inicial www.amazon.com, procura pelo livro que deseja comprar, adiciona-o ao seu carrinho, escolhe o método de pagamento e finaliza a compra.

Na época do Natal, o site muda: existe agora uma promoção de fim de ano e você se depara com um conteúdo inesperado: existem funcionalidades e informações novas (como um programa de desconto através de cupons). Como reage um humano ao encontrar a mudança com novas possibilidades de iteração em um site?

  • Gritar: “contrato violado! não comprarei mais nada!
  • Ignorar as novas informações e executar o processo
  • Usar o intelecto humano e se aproveitar das novas informações

Como humanos sabemos o quão natural é agir de maneira a ignorar as informações – caso elas não contribuam com meu objetivo – ou tirar proveito delas.

A opção 1 só se concretiza caso existisse um comprometimento total a maneira que o site disponibilizava suas informações e ao processo: se meu acoplamento for alto e o que eu espero seja fixo, imutável. Infelizmente robôs não são ainda capazes de raciocionar como nós e executar a última opção.

O conteúdo hipermídia permite evoluir o servidor com funcionalidades e dados sem quebrar os clientes consumidores por padrão. Ninguém deixaria de comprar pois fornecemos funcionalidades e dados novos em relação aos recursos disponibilizados.

Isso permitiu a evolução de sites por diversos anos sem que usuários enviassem emails para o responsável reclamando da nova função que foi adicionada, dizendo que não utilizarão o sistema pois existe conteúdo extra.

Hipermídia permite um baixo acoplamento entre o cliente e o servidor e pode ser levado para o mundo da automatização: a web dos sistemas. Na web humana, validamos nossos contratos com o usuário final através do uso de testes end-to-end, verificando a existência de funcionalidades como o usuário o faria.

Diversas opções de ferramentas como selenium-rc e webdriver fornecem funcionalidades para garantir que o comportamento esperado não será quebrado com novos releases.

Eles não validam tudo retornado pela requisição, dando espaço para a ::forward-compatibility::, a capacidade de evoluir nosso sistema no servidor sem quebrar o comportamento esperado. Por exemplo, adicionar novas funcionalidades ou campos não relativos ao teste não deve quebrar o mesmo.

Na web para sistemas integrados, a representação mais comum é o xml, que não suporta conteúdo hipermídia, uma vez que uris devem ser tratadas como texto (de acordo com a especificação) então acabamos criando nossos próprios media-types, como vnd/caelum+xml, onde há a definição de como elas devem ser tratadas: o nosso próprio micro formato.

Existem diversas alternativas para criar esquemas forward e backward compatíveis mas infelizmente esse não é o comportamento padrão de arquivos como o formato ::xsd:: e arquitetos não se lembram disso ao definir seus esquemas, o suporte é opcional.

Dentre essas opções, a mais fácil e possivelmente perigosa envolve permitir qualquer tipo de conteúdo em qualquer campo, enquanto outra solução envolve o uso de tipos polimórficos: um perigoso início de schema-hell controlando diversas versões para uma mesma funcionalidade.

Micro formatos como os que podemos criar permitem a definição de uma estrutura fixa e uma dinâmica: um contrato parcialmente fixo, com garantias para validação e compatibilidade, além de parcialmente dinâmico, com liberdade para evolução, diminuindo o acoplamento que seu sistema possuia ao utilizar um esquema totalmente fixo.

Mas a responsabilidade de não quebrar o contrato original fixo ainda é do servidor.

Na web humana, xhtml permite validar a estrutura (o contrato) enquanto é responsabilidade sua (seus testes) não remover o campo de busca de livro, caso contrário o processo não se completa.

Enquanto esquemas permitem a validação de dados, os testes permitem a validação dos processos. Ambos devem ser escritos de maneira a permitir a evolução desacoplada do servidor e do cliente. E quais seriam então as partes dinâmicas do meu contrato?

Os possíveis estados de seu recurso podem variar com o tempo: uma aplicação para empréstimo pode ser só aprovada ou recusada, mas com o passar do tempo a empresa pode decidir a existência de um novo estado: “prolongado”.

As relações entre seu recurso e outros recursos também variam: um cliente pode ter uma lista de serviços contratados atualmente, acessando a sua representação via links. É natural imaginar que surjam novos serviços e que o cliente mude suas contratações.

As transições e operações disponíveis para seus recursos também são dinâmicas: suportando um método HTTP novo ou um novo link não quebra a existência de clientes que consomem as transições e operações existentes até então.

Todo esse dinamismo é guiado através de hiperlinks e conteúdo hipermídia. Como os clientes terão certeza que não quebramos o contrato dinâmico?

Da mesma maneira que implementamos testes para garantir o comportamento esperado, precisamos deles para garantir que o processo não é alterado no servidor.

Os testes end-to-end são a única garantia de que não quebramos os processos junto ao cliente, seja ele humano ou outro serviço.

Esquemas xml podem ser usados de maneira a garantir flexibilidade e compatibilidade, mas não é o comportamento padrão de tal ferramenta: depende muito mais do usuário conhecer e fazer o uso adequado dela.

ATOM é um exemplo que suporta por padrão contratos dinâmicos: ao seguir o Must Ignore, ganhamos forward e backward compatibility. Contratos dinâmicos fornecem dicas para os frameworks, permitindo ao servidor guiar o cliente naquilo que pode executar ou acessar.

A consequência principal de contratos dinâmicos é o baixo acoplamento.

O Restfulie foca no poder do hipermídia como facilitador na evolução a médio e longo prazo: não são URIs elegantes ou a adoção do protocolo HTTP sozinhos que criam sistemas de baixo acoplamento.

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Arquitetura REST com Java: JAX-RS

Por Sérgio Azevedo Junior em 15/12/09

A necessidade de trocar informações entre aplicações motivou diferentes abordagens para “integração de dados”. Desde soluções simples e questionáveis como utilizar um banco de dados compartilhado, ou realizar troca de arquivos até soluções mais elaboradas que utilizam objetos distribuidos (COM e Corba). Em diversos momentos não temos somente a integração de sistemas diferentes mas a distribuição de um único sistema em diversas partes também pode ser integrada da mesma maneira.

A solução de integração denominada Webservices, que já é relativamente simples de implementar, é a mais utilizada hoje em dia, que vemos em profundidade no curso FJ-31.

A Web é amplamente utilizada e reconhecida principalmente por sua arquitetura robusta, tolerante a falhas e escalável. Quem sustenta a Web nesses fatores e lhe dá todo este poder é o protocolo HTTP. Este protocolo inocente que utilizamos “meio que sem saber” em nossos navegadores de internet está presente na Web inteira, e inclusive em nossos Webservices. Não seria ótimo se eles tirassem proveito das caracteristicas do protocolo HTTP, sem que isso nos desse muito trabalho?

A especifição JSR-311 JAX-RS de Restful webservices (que faz parte agora do Java EE 6) tornou isso simples e possível. Diferentemente do tradicional SOAP – em sua versão amplamente utilizada – e WSDL, o JAX-RS foca um pouco mais em URIs e nos detalhes do protocolo HTTP para se beneficiar de seus recursos.

Como utilizamos o JAX-RS para buscar dados de um Pedido?

@Path("/pedido/{id}")
public class PedidoResource {
 @GET 
@Produces( { MediaType.APPLICATION_XML })
 public Pedido getPedidoById(@PathParam("id") Long id) {
   PedidoDAO pedidoDAO = new PedidoDAO();
   Pedido pedido = pedidoDAO.getPedidoById(id);
   return pedido;
 }
}

Através da classe PedidoResource, disponibilizaremos os dados de nossos pedidos no formato XML. Vamos supor que configuramos que este serviço esteja disponível no endereço: http://caelum.com.br/rest/pedido. Para conseguirmos informações sobre o pedido 10, podemos acessar a url http://caelum.com.br/rest/pedido/10, através de nosso browser de internet favorito. E assim receberiamos um resultado parecido com este:

<pedido>
  <dataPedido>2009-12-10T18:50:57.173-02:00</dataPedido>
  <descricao>Pedido 10</descricao>
  <id>10</id>
  <total>3000.25</total>
</pedido>

A api JAX-RS nos permite trabalhar com o que foi denominado Restful WebServices. E segundo a arquitetura REST nós devemos expor as informações importantes de nossa aplicação como recursos. Para isso precisamos criar uma classe que é definida pela especificação como RootResource. Em nosso exemplo a classe PedidoResource é a nossa , e para ser acessivel aos clientes fornecemos a ela um url através da anotaçao @Path(“/pedido/{id}”), e o próprio JAX-RS reconhece {id} como sendo um parametro que é enviado através do url.

Um recurso pode responder a operações do protocolo HTTP, dentre as quais destacam-se: POST, GET, PUT e DELETE. Nós escolhemos que nosso serviço responderá apenas a solitações do tipo GET, a anotação @GET acima do método getPedidoById é quem define isso. Essas anotações de caminho e de qual método HTTP podem acessar determinado método estão presentes em frameworks como o Spring MVC e o VRaptor.

Depois dizemos que uma solitação GET para nosso recurso irá produzir um resposta do tipo XML, através da anotação @Produces( { MediaType.APPLICATION_XML }).

É impotante destacar que esta anotação não é a responsável por serializar o objeto no formato XML. O JAX-RS usa o JAX-B como serializador padrão, basta para isso colocar a anotação @XmlRootElement na classe desejada, assim como nós fizemos em nossa classe pedido.

@XmlRootElement
public class Pedido {

 private Long id;
 private String descricao;
 private double total;
 private Calendar dataPedido;
 //Getters e Setters...

}

Agora que entendemos melhor o nosso serviço, ou seja, como acessar nosso recurso, podemos olhar melhor para nosso cliente. Como nosso cliente do serviço web pode ser um simples browser de internet, conseguimos usar o browser para consumir nosso serviço web porque eles já estão bem acostumados a realizar operações HTTP do tipo GET.

Mas os browser’s não são nossos únicos clientes. Podemos criar diferentes tipos, e inclusive ter aplicações desktop como clientes. Vejamos um exemplo de uma aplicação cliente, que o usa a API do httpclient do grupo apache:


public class CaelumRestClient {

  public static void main(String[] argsthrows Exception {
    HttpClient httpClient = new HttpClient();

    GetMethod httpMethod = 
      new GetMethod("http://caelum/rest/pedido/20");

    httpMethod.addRequestHeader("Accept""application/xml");
    httpClient.executeMethod(httpMethod);
    Scanner scan = 
      new Scanner(httpMethod.getResponseBodyAsStream());
    PrintStream ps = System.out;
    while (scan.hasNext()) {
      ps.println(scan.nextLine());
    }
    httpMethod.releaseConnection();
  }
}

Este cliente é bem simples, ele faz apenas o mesmo trabalho que o browser já havia feito. Mas nada nos impede de implementar coisas bem mais interessantes. Poderiamos fazer com que este cliente desserializasse nosso objeto pedido. Para isso precisarimos apenas de um parser XML para extrair os valores do xml e depois popular um objeto Pedido com estes dados. A partir daí poderiamos utilizar este objeto em nossa aplicação.

A única limitação é que esta representação XML não nos diz nada sobre quais ações estão disponiveis para o nosso objeto Pedido, nem mesmo quais as relações desse recurso com o mundo afora. Uma alternativa seria utilizar o restfulie framework muito discutido hoje em dia e idealizado por Guilherme Silveira e desenvolvido em conjunto com o pessoal da Caelum, que usa o conceito de hypermedia para expor além dos dados as ações que um determinado objeto pode realizar.

Em breve teremos um post do próprio Guilherme sobre a importância do conteúdo hypermedia na arquitetura REST.

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SOA sem tentar vender middleware?

Por Fabio Kung em 17/03/09

Na última sexta-feira, estive junto com o Alexandre Magno em um evento organizado pelo pessoal da Stefanini, no Rio de Janeiro. O Alexandre falou um pouco sobre a sua especialidade, Scrum. Eu dei uma palestra sobre SOA e como sempre a expectativa do pessoal era ouvir mais uma palestra cheia de buzzword, que de alguma forma tenta empurrar algum produto de integração e que tenha ESB (Enterprise Service Bus) no nome.

O público era bem misto, com pessoal técnico e não técnico. Bastante gente veio conversar comigo no fim da palestra e demonstraram surpresa com relação a abordagem diferente sobre SOA. Um pouco na linha do fantástico Guerrilla SOA do Jim Webber, tentei falar sobre o assunto sem tentar vender nenhum produto gigante middleware-de-integração. Se você ainda não viu: veja agora, sério. A minha palestra fala um pouco sobre como SOA não precisa ser buzzword, SOA é integração:


Talvez a palestra não faça tanto sentido para quem não esteve presente, mas fiquem a vontade para dar uma olhada e comentar a respeito.

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Java 6, as APIs de XML, Webservices e classloaders

Por Paulo Silveira em 17/12/07

A Sun vem há muito tempo fazendo esforços para facilitar a manipulação de XML e de webservices na plataforma. São tantos projetos, subprojetos e especificações que podemos facilmente nos encontrar perdidos no meio de tantas siglas. Elas são:

JAXP (pacote java.xml no geral) – Processamento geral de XML, com os já antigos SAX e DOM, além de transformadores (XLST) e XPath.

JAXB (pacote javax.xml.bind) – Assocaição/mapeamento de classes java para XML.

JAX-WS (pacote javax.xml.ws) – Criação e consumo de webservices. Aliada a especificação de metadados para webservices (pacote javax.jws), previamente já vista aqui no blog, a JAX-WS tornasse poderosa e fácil de usar.

JAXR (pacote javax.xml.registry) – para acesso aos registros de serviços XMLs, como UDDI.

JAX-RPC (pacote javax.xml.rpc) – era o nome antigo do atual JAX-WS. O JAX-WS mudou de nome e já apareceu como 2.0, essa mundaça foi justificada pelo fato dessa API passar a trabalhar bem mais próxima da API do JAXB, além do óbvio marketing.

E a Sun não para por aí, temos mais especificações: a duvidosa JSR 267 que possibilita um JSP acessar diretamente um webservice (!) através de taglibs e a esperada JSR 311 para trabalhar com serviços de maneira RESTful, oferecendo simples anotações para expor métodos Java através de URI + métodos HTTP.

Não são todos subprojetos de manipulação de xml com java que viraram especificações, e as que viraram nem todas estão no Java SE. A Fast Infoset é uma especificação ISO para representação binária do padrão XML (economizando assim espaço e banda, além de melhorar performance do parsing) possui uma implementação Java, utilizada dentro do Metro, projeto que fornece os recursos de webservices do Glassfish.

Muitas dessas APIs, juntamente com implementações de referência (RIs), agora estão presentes no java SE 6.0, que antes eram opcionais. Qual é o problema disso? Até então diversos servidores de aplicação e frameworks traziam embutido implementações do JAXB, JAX-WS, etc. Ao rodar essas aplicações com o Java 6 o sistema de classloading da plataforma vai primeiro carregar as classes da api padrão, mesmo que você tenha implementações dessas APIS de XML no classpath. O ruim aqui é que muitos servidores de aplicação acabam se amarrando a detalhes de sua própria implementação e versão, como é esse caso do JBoss com o JAX-WS. Quando rodado com o Java 6, temos a seguinte exception quando você tenta acessar um webservice que está implantando no servidor:

java.lang.UnsupportedOperationException: setProperty must be overridden by all subclasses of SOAPMessage
at javax.xml.soap.SOAPMessage.setProperty(SOAPMessage.java:424)

Enfrentamos esse problema recentemente, e para resolve-lo usamos o sistema de endosso de jars (endorsed jars) do Java: determinados diretórios podem ser configurados para que alguns pacotes específicos possam ser carregados destes antes do Classloader tentar chegar ao rt.jar.

Um outro problema comum é com o JAXB: o Java 6 vem com a versão 2.0, se você precisar usar a 1.1 ou a 2.1, vai ter problemas. O interessante é que a JAXB do Java SE já foi projetada para ela mesma detectar se o classloading foi correto, ou se partiu de uma versão posterior/anterior a ela, mostrando uma mensagem de erro amigável. Para outras bibliotecas esse problema pode ser muito sutil: o classloader pode acabar carregando parte da biblioteca de uma versão recente, já que algumas classes novas só existem nesse jar, e o restante de uma outra antiga, resultando exceptions como NoSuchMethodError, que não mostram claramente que o problema é a existência de dois jars de versões diferentes no classpath daquela aplicação.

Podemos ver que mesmo seguindos boas práticas, isolando bibliotecas e não usando a terrível variável de ambiente CLASSPATH, acabamos sempre enfrentando o classloader hell.

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